Editoriais
Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010, 21h:10
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Tempo de reflexão
Desde 1982, o Brasil promove em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta dos Portadores de Deficiência, data que tem por principal objetivo mostrar ao conjunto social a importância das constantes batalhas no cotidiano travadas por quem é portador de deficiência física, mental ou sensorial (cegos e surdos-mudos). Os portadores de deficiência não pedem nada de excepcional. Apenas reivindicam o que a Constituição lhes garante, ou seja, querem o Estado retire das ruas e outros logradouros todos os tipos de barreiras que os impeçam de ir e vir; e almejam o sentimento de solidariedade humana de seus semelhantes que gozam de plena saúde física e mental. A comunidade formada pelos portadores de algum tipo de deficiência é numerosa e se faz presente em todas as cidades, bairros, ruas, vilas e na zona rural em Mato Grosso. Parte dessas pessoas sequer é vista, porque vive enclausurada em suas casas ou centros de tratamento especializado. Parte está presente nas ruas. Mesmo com a evolução do homem e as campanhas de conscientização, ainda há certo tipo de preconceito contra tais pessoas, mas os grandes problemas que enfrentam são as barreiras arquitetônicas e o transporte. Lamentavelmente ainda existem prédios públicos e particulares que não foram adaptados para que os deficientes tenham acessos a eles. A maior parte das travessias de ruas não tem meio-fio rebaixado e não contam com rampas para cadeirantes, o que é inconcebível. O transporte intermunicipal e interestadual desconhece a realidade dos deficientes em Mato Grosso. Nas cidades onde operam os sistemas de transporte coletivo o atendimento a essas pessoas é bem limitado tanto no tocante aos ônibus quanto aos abrigos destinados aos passageiros à espera de embarque. Ainda há praças, parques e escolas que não contam com sanitários adaptados aos portadores de necessidades especiais. O mesmo acontece com grandes supermercados, órgãos públicos e lojas em Cuiabá e nas principais cidades mato-grossenses. Enquanto persistir a indiferença e o vácuo do Poder Público com o portador de deficiência é preciso manter a data que ora se celebra, porque ela simboliza a resistência dessas pessoas contra o descaso, contra a insistência em mantê-las fora da atividade econômica, do emprego, do esporte, do lazer, da vida em comunidade. Mato Grosso precisa se conscientizar que quem discrimina se coloca, equivocadamente, em plano superior aos deficientes, quando se sabe que esse conceito é falso e desumano. Que a população e o Poder Público em todas as suas esferas se unam em busca da harmonia entre portadores de deficiência ou não. Que as barreiras do preconceito e arquitetônicas sejam derrubadas em nome de nova relação entre todos os cidadãos. Quando esses problemas forem superados a data que ora se celebra não terá mais sentido, porém, até lá, ela tem que permanecer como grito de alerta da grande comunidade formada por deficientes. O transporte intermunicipal e interestadual desconhece a realidade dos deficientes