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Editoriais
Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2009, 21h:46

Tempestade de desemprego

Semana passada, num único dia, multinacionais anunciaram a demissão de quase 100 mil trabalhadores em todo o mundo. A crise econômica está atingindo o estágio que alguns economistas chamam de tempestade perfeita, metáfora para descrever o círculo vicioso caracterizado pela retração das compras, pela queda da produção, pelo encolhimento das empresas, pelas demissões e, fechando a roda, pela queda no consumo. A gravidade da questão é que, na turbulência que se alimenta de si mesma, não há política definida e confiável para deter uma crise que não dá sinais de amainar. Ao contrário, esse mecanismo que está levando economias poderosas à recessão alimenta um processo de desconfiança que se alia aos efeitos objetivos e mensuráveis da crise para aprofundá-los. Aqueles vaticínios sombrios que fazia Nouriel Roubini, ao prever a inevitabilidade da recessão global em razão do desastre no mercado imobiliário e de suas consequências, são hoje proferidos até pelos economistas tidos como moderados. Tudo indica que terminou a era do crédito abundante e fácil e do dinheiro barato e multiplicável. Países, empresas e cidadãos ainda estão sob o impacto do rompimento de algumas décadas em que a economia funcionava atrelada à especulação financeira, em que as fortunas nasciam como cogumelos, da noite para o dia, aparentemente desvinculadas da riqueza real. Essa bolha se desfez, como se a locomotiva se soltasse e os vagões ficassem à deriva. As sequelas começaram com a falência de bancos e instituições de crédito dos Estados Unidos e da Europa e prosseguiram com uma drástica redução do consumo e, portanto, da produção. O passo seguinte, do desemprego em massa, está ocorrendo agora, sob o olhar apreensivo das autoridades e diante de uma incapacidade governamental de encontrar um remédio eficaz para a crise. A ajuda dos governos às empresas privadas (bancos e montadoras, entre outras), contada em bilhões de dólares, parece insuficiente diante da voragem da desaceleração. Nesse contexto, a sombra do desemprego se amplia, com tudo o que ela significa para os trabalhadores e suas famílias. O círculo vicioso recomeça. Por mais assustadoras que sejam as perspectivas, não há outra opção visível a não ser o caminho que já está sendo trilhado pelos governos, que estimulam os setores mais atingidos, e pelas lideranças empresariais e sindicais, que formulam acordos para manter empregos. As condições econômicas e financeiras criam uma espécie de estado de necessidade, que justifica a adoção de medidas heterodoxas no âmbito do emprego e que, em nome do bom senso e da sabedoria política, aponta para soluções negociadas com vistas à manutenção dos empregos em troca de ajustes nas jornadas e nos salários. De resto, nem as tempestades perfeitas, nem as crises mais ameaçadoras, nem os círculos viciosos mais fechados são eternos. A história da civilização comprova que o engenho humano sempre encontra saídas para as turbulências. A história comprova que o engenho humano sempre encontra saídas para as turbulências

Edição EDIÇÃO 16960




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