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Editoriais
Sábado, 23 de Junho de 2012, 14h:37

Solidariedade financeira

Num cenário internacional marcado pela incerteza em consequência do agravamento da crise europeia, coube aos integrantes do Brics – que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – criar um fato promissor, em condições de produzir efeitos positivos imediatos. Na última terça-feira, antes da primeira sessão do G-20, com a presença das 20 maiores economias do mundo na pequena e pradisíaca cidade de Los Cabos, no México, os representantes das potências emergentes anunciaram a formação de um fundo na tentativa de evitar contágio das cinco grandes nações emergentes em caso de nova turbulência financeira global. Ou, como definiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o objetivo de criar uma “solidariedade financeira”, vital neste momento para preservar conquistas na área econômica. Juntas, as cinco potências do mundo em desenvolvimento têm um total de US$ 4,5 trilhões em reservas – atualmente, as maiores do planeta. É importante, portanto, que simultaneamente às providências a serem tomadas para preservar a estabilidade econômica da União Europeia, essas nações possam afirmar seu protagonismo. É a forma de deixarem de depender unicamente das iniciativas do bloco habituado a tomar as decisões no planeta, antes de ter mergulhado na própria crise. Em princípio, os ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais dos cinco países terão até abril do próximo ano para formatar uma proposta consensual, incluindo valores, cotas, taxas e regras de saque. Pelo acordo, porém, os resultados concretos poderão ser obtidos a qualquer momento, sob a forma de operações bilaterais de apoio mútuo com uso de reservas. Enquanto o mundo industrializado resiste a ousar mais, mesmo sufocado pela crise, as economias emergentes demonstram ousadia com a intenção de enfrentá-la de maneira unificada. É importante que essa determinação se mantenha, como forma de preservar conquistas em nome das quais a população desses países arcou com um ônus elevado. É isso, pelo menos, o que esperamos. Enquanto o mundo industrializado resiste a ousar mais as economias emergentes demonstram ousadia com a intenção de enfrentá-la de maneira unificada

Edição EDIÇÃO 16962




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