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Editoriais
Terça-feira, 22 de Janeiro de 2013, 20h:47

Sem Carnaval

Boa parte dos municípios mato-grossenses enfrenta problemas para equilibrar suas receitas com as despesas. Em situações assim os prefeitos são obrigados a adotar medidas drásticas sob pena de desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal e de colocar suas prefeituras na contramão da lógica administrativa. Rondonópolis e Cáceres são duas das principais cidades mato-grossenses. A primeira lidera no setor do turismo de negócios. A outra é o principal destino da pesca esportiva, além de promover o FIP, que segundo o Livro dos Recordes (Guinness Book) é a maior competição mundial de pesca embarcada em água doce. Mesmo ostentando títulos de polos turísticos, Cáceres e Rondonópolis neste ano não promoverão Carnaval de rua com recursos municipais. As decisões foram tomadas pelo prefeito cacerense Francis Maris (PMDB) e por seu colega rondonopolitano Percival Muniz (PPS). Tanto Percival quanto Francis tomaram posse em 1º deste mês de janeiro. A quebra da tradição do Carnaval de rua nas duas cidades pode parecer estranha para quem vê as decisões de modo afunilado, enxergando apenas a folia pela folia. Porém, quem se atentar a elas, mas com visão ampliada, dará razão aos prefeitos que a adotaram. Carnaval e futebol são os maiores e mais arraigados eventos brasileiros. Ambos mexem com a massa, despertam paixões, causam fortes emoções e são os espetáculos mais democráticos possíveis. Ainda assim, e mesmo em se tratando de 2013, ano que é véspera da realização dos jogos da Copa do Pantanal em Cuiabá, a prudência administrativa tem que prevalecer em todas as esferas do poder público. O Carnaval em Cáceres e Rondonópolis é eventos que contam basicamente com foliões locais e de alguns municípios circunvizinhos. Nenhum deles contribuiria para divulgar a Copa do Pantanal. Além disso, entre oferecer o “circo” ou o “pão”, a prudência manda optar pelo segundo. O governo de Mato Grosso tem a Secretaria de Desenvolvimento do Turismo, que é responsável pela divulgação dos roteiros perenes e sazonais. Portanto, cabe a ela essa incumbência. Se a realidade orçamentária das duas prefeituras citadas fosse outra, seguramente seus prefeitos dariam o sinal verde para a realização do Carnaval de rua, independentemente da proximidade ou não da Copa do Pantanal. Porém, ambos os municípios enfrentam problemas que ora os impede de gastar com festividades. Tomara que em 2014 as prefeituras de Cáceres e Rondonópolis se encontrem em condições de promover o Carnaval de rua. Se tal condição não for alcançada os prefeitos Percival e Francis não terão argumento como agora, pois até lá terão mais de um ano para restabelecer o equilíbrio orçamentário. Duas grandes cidades começam o ano sem a alegria do Carnaval de rua, mas ambas o fazem em nome da seriedade administrativa. Outros carnavais virão. Espera-se que dias melhores também! A prudência administrativa tem que prevalecer em todas as esferas do poder público

Edição EDIÇÃO 16960




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