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Editoriais
Sexta-feira, 27 de Abril de 2012, 20h:50

Saúde pública

Vida sedentária, alimentação que não observa recomendações de nutricionistas e outros fatores contribuem para que cada vez mais o brasileiro tenha sobrepeso e obesidade mórbida. Essa situação se repete também em Mato Grosso e é visível a olho nu nas ruas e praças. O excesso de peso pode ser revertido, mas as pessoas com baixo poder aquisitivo dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), ao qual recorrem em busca de cirurgias bariátricas – de redução do estômago. No entanto, em Mato Grosso essa busca é praticamente em vão, pela incapacidade de atendimento por parte do SUS. Na população mato-grossense de 3 milhões de habitantes, pelo menos 500 cidadãos das mais diferentes idades esperam por cirurgia bariátrica em Cuiabá. O número de pacientes na fila de espera do SUS não é oficial, porque lamentavelmente não há sequer controle estatístico da situação. Essa legião é estimada por autoridades médicas, mas é a referência para se tratar do caso. Esse fato por si somente mostra o descaso do Ministério da Saúde com o usuário do SUS. Não há nenhuma hipótese de mudança desse cenário em Cuiabá num prazo relativamente curto. A estrutura do SUS nessa área se limita a uma cirurgia semanal, mas mesmo assim nem sempre é possível manter essa média de atendimento. O atendimento aos portadores de obesidade mórbida é um dos gargalos da saúde pública em Mato Grosso. Essa situação inaceitável e desumana não pode mais perdurar, mas infelizmente a grande parcela da população que depende do SUS nunca está no centro das atenções das prioridades. Enquanto o Brasil relegar saúde pública a plano inferior e enquanto futilidades prevalecerem sobre as áreas que deveriam receber atenção administrativa especial e destinação orçamentária compatível com suas demandas, continuaremos país de contrastes. O que pensa o cidadão que não é submetido à cirurgia bariátrica por falta de estrutura do SUS e que acompanha o noticiário dando conta de grandes rombos nos cofres públicos, de obras superfaturadas, farra com o dinheiro público? O que pensam os parentes dessas pessoas? Esses questionamentos precisam abrir espaço na mídia, virar temas de debates, nas tribunas dos parlamentos, e ganhar as ruas. Mato Grosso tem que estender as mãos aos que buscam algum tipo de atendimento junto ao SUS e não conseguem nenhum tipo de atendimento e são jogados numa fila quase interminável. A máxima constitucional assegura que saúde é direito do cidadão e dever do Estado. Na prática, saúde enquanto política de governo é divisor entre vida com qualidade e vida vegetativa e, entre a vida propriamente dita e a morte. Portanto, cada dia que passa é oportunidade a menos ao paciente sem atendimento pelo SUS. Em nome da qualidade de vida e da vida, é preciso mudar a relação do SUS com o paciente. É imprescindível que o Brasil priorize a vida com a aplicação racional do orçamento que não pode ser canalizado para futilidade nesta terra de miseráveis abandonados pela União. Cada dia que passa é oportunidade a menos ao paciente sem atendimento pelo SUS

Edição EDIÇÃO 16968




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