Vida sedentária, alimentação que não observa recomendações de nutricionistas e outros fatores contribuem para que cada vez mais o brasileiro tenha sobrepeso e obesidade mórbida. Essa situação se repete também em Mato Grosso e é visível a olho nu nas ruas e praças. O excesso de peso pode ser revertido, mas as pessoas com baixo poder aquisitivo dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), ao qual recorrem em busca de cirurgias bariátricas de redução do estômago. No entanto, em Mato Grosso essa busca é praticamente em vão, pela incapacidade de atendimento por parte do SUS. Na população mato-grossense de 3 milhões de habitantes, pelo menos 500 cidadãos das mais diferentes idades esperam por cirurgia bariátrica em Cuiabá. O número de pacientes na fila de espera do SUS não é oficial, porque lamentavelmente não há sequer controle estatístico da situação. Essa legião é estimada por autoridades médicas, mas é a referência para se tratar do caso. Esse fato por si somente mostra o descaso do Ministério da Saúde com o usuário do SUS. Não há nenhuma hipótese de mudança desse cenário em Cuiabá num prazo relativamente curto. A estrutura do SUS nessa área se limita a uma cirurgia semanal, mas mesmo assim nem sempre é possível manter essa média de atendimento. O atendimento aos portadores de obesidade mórbida é um dos gargalos da saúde pública em Mato Grosso. Essa situação inaceitável e desumana não pode mais perdurar, mas infelizmente a grande parcela da população que depende do SUS nunca está no centro das atenções das prioridades. Enquanto o Brasil relegar saúde pública a plano inferior e enquanto futilidades prevalecerem sobre as áreas que deveriam receber atenção administrativa especial e destinação orçamentária compatível com suas demandas, continuaremos país de contrastes. O que pensa o cidadão que não é submetido à cirurgia bariátrica por falta de estrutura do SUS e que acompanha o noticiário dando conta de grandes rombos nos cofres públicos, de obras superfaturadas, farra com o dinheiro público? O que pensam os parentes dessas pessoas? Esses questionamentos precisam abrir espaço na mídia, virar temas de debates, nas tribunas dos parlamentos, e ganhar as ruas. Mato Grosso tem que estender as mãos aos que buscam algum tipo de atendimento junto ao SUS e não conseguem nenhum tipo de atendimento e são jogados numa fila quase interminável. A máxima constitucional assegura que saúde é direito do cidadão e dever do Estado. Na prática, saúde enquanto política de governo é divisor entre vida com qualidade e vida vegetativa e, entre a vida propriamente dita e a morte. Portanto, cada dia que passa é oportunidade a menos ao paciente sem atendimento pelo SUS. Em nome da qualidade de vida e da vida, é preciso mudar a relação do SUS com o paciente. É imprescindível que o Brasil priorize a vida com a aplicação racional do orçamento que não pode ser canalizado para futilidade nesta terra de miseráveis abandonados pela União. Cada dia que passa é oportunidade a menos ao paciente sem atendimento pelo SUS