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Editoriais
Quinta-feira, 09 de Abril de 2009, 20h:10

Saúde Pública doente

Estudo recente divulgado pelo Ministério da Saúde revela um dado preocupante, em meio à estatística sombria dos casos da doença no Brasil. Diz o seguinte: o número de mortes por dengues no país – entre elas, a de natureza hemorrágica – poderia ser reduzido de forma significativa se o sistema sanitário estivesse mais preparado para o atendimento primário, notadamente em postos de Saúde. Com uma boa orientação e monitoramento desde o primeiro dia em que apresenta sintomas da dengue, bem poucos pacientes teriam que ser internados e menos de 1% morreria, revela ainda a pesquisa. A triste realidade é que, a cada dia, registra-se um aumento considerável nos casos de dengue, com uma incidência preocupante para a hemorrágica. No começo desta semana, mais uma pessoa morreu em Mato Grosso, a oitava no Estado. Em menos de 24 horas, foram dois óbitos, o que confirma uma epidemia. No total, são 256 casos das formas graves da doença. O número dobrou em duas semanas. Preocupante mesmo é o quadro desenhado pela Saúde Pública em Cuiabá. De fato, já são mais de 1.000 casos de dengue - 31 deles da forma mais perigosa, a hemorrágica, sendo cinco somente no bairro Cidade Alta, com três mortes. Nesta quinta-feira (9), na “ressaca” das comemorações dos 290 anos da Capital, na quarta-feira, o prefeito Wilson Santos (PSDB), ao que parece, acordou para a triste realidade da Saúde Pública. Num encontro com representantes de diversos segmentos sociais, ele não escondeu a preocupação diante da situação alarmante na Capital, quanto aos números sinistros da dengue, especialmente a versão hemorrágica da doença, e afirmou que Cuiabá não se encontra preparada para combater a epidemia. "Não podemos correr da verdade. A Prefeitura não tem recurso e nem condições próprias para combater a dengue", afirmou o tucano, que, como saída para enfrentar o mosquito Aedes Aegypti, propôs a realização de uma “gincana contra a dengue”. É louvável que algumas entidades ligadas diretamente à vida da cidade – caso do Exército, por exemplo, que se prontificou a atender ao chamamento do prefeito – se disponham a entrar na luta contra a doença. Lamentável, no entanto, é que, somente agora, quando o vírus da dengue grassa celeremente e ceifa a vida de cidadãos, o prefeito decida encarar de frente a sinistra e macabra realidade. É sintomático, a propósito, que Wilson Santos revele, por exemplo, que não esperava que a situação adquirisse contornos tão graves. Isso, quando nada, revela que, se a incúria administrativa não imperasse no Palácio Alencastro e as ações básicas de Saúde fossem implementadas, os casos de dengue não teriam chegado a uma epidemia. Antes tarde do que nunca, seria o caso de dizer da decisão do prefeito de buscar envolver a sociedade cuiabana na luta contra a dengue. De qualquer forma, nesse primeiro round, o mosquito Aedes Egypit venceu o Poder Público. E a conclusão imperativa é a de que a Saúde Pública em Cuiabá está gravemente enferma. “A Saúde Pública em Cuiabá está gravemente enferma”

Edição EDIÇÃO 16967




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