Editoriais
Terça-feira, 05 de Junho de 2012, 13h:29
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Rigor da lei
O aumento da criminalidade violenta é algo verificado em todo o país. Para além da abismal desigualdade social e da crise de valores existentes na sociedade brasileira, é certo que a sensação de impunidade, que campeia em todos os quadrantes é fator decisivo no incremento desse nefasto fenômeno contemporâneo. Nesse contexto, é natural que as vítimas da violência mobilizem-se pela criação de leis mais rigorosas no combate ao crime. Essa é uma das ideias permeadoras da Frente Parlamentar em Apoio das Vítimas da Violência. Entretanto, essa meritória iniciativa precisa ter uma compreensão mais ampla. Nesse sentido, tem-se convicção de que a alteração do atual quadro de insegurança e impunidade passa menos pelo endurecimento da lei e mais pela vontade política do Poder Executivo, em todos os níveis, de realmente fazer algo de concreto para mudá-lo. De fato, os que se dedicam ao estudo da questão sabem que incutir no homem inclinado ao crime o sentimento de que dificilmente ele escapará da reprimenda estatal é o meio mais eficaz para impedi-lo de delinquir. Vale dizer, estimular na sociedade o sentimento de que o castigo ao criminoso é provável intimida mais que o tamanho da pena em si. Portanto, as vítimas da violência nós todos devemos direcionar nossa atenção à indescritível falta de estrutura dos órgãos policiais e de perícia, envidando esforços para mudança desse quadro, pois, ficando apenas nos triviais crimes patrimoniais, é inadmissível, por exemplo, que não se disponha de um meio probatório técnico básico como o exame datiloscópico. Ora, é sabido que essa simples evidência, acompanhada da tecnologia já existente, pode elucidar a maioria dos casos, evitando que furtadores contumazes, alimentados pelo sentimento de impunidade, transformem-se em latrocidas, causando danos irreparáveis... A questão é: os nossos governantes têm real interesse em que a investigação criminal funcione? A propósito, se ela funcionar, certamente haverá mais criminosos presos, mas o que será feito se, não funcionando, já não se tem vagas nos presídios? Aliás, a funesta situação do sistema penitenciário, por aumentar a criminalidade, também deve ser objeto da atenção de todos. Por isso tem-se dito que o cidadão, uma vez vítima, será sempre vítima. Vítima da insegurança pública, do criminoso e da incapacidade estatal na elucidação e punição adequadas do crime. E mais, se ele acreditar que o simples recrudescimento da lei penal alterará esse quadro, ele continuará sendo vítima de si mesmo da sua ingenuidade por acreditar que problemas complexos se resolvem de forma simples. Os nossos governantes têm real interesse em que a investigação criminal funcione?