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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009, 20h:04

Renunciar é a saída

A cassação do mandato do vereador Ralf Leite (PRTB) passou a nortear as conversas no meio político, sobretudo, entre seus pares no Legislativo Municipal. Essa possibilidade, com efeito, passou a ditar não apenas a pauta do noticiário político, mas a agenda da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, organismo que dará a palavra final sobre o encaminhamento do caso para a decisão soberana do Plenário. Resta saber se haverá coragem e vontade política para tanto. O noticiário político, a propósito, é prova de que, no começo, tão logo o escândalo (suposto programa sexual com um travesti de 17 anos, em um das mais conhecidas zonas de prostituição da Baixada Cuiabana) envolvendo o parlamentar veio à tona, esboçaram-se sinais de corporativismo. A presença de integrantes da Mesa Diretora numa delegacia de Polícia, levando a “solidariedade” da Câmara, por si só, além do repúdio, causou preocupação à sociedade. O presidente do Legislativo, Deucimar Silva (PP), chegou a insinuar dificuldades para se levarem adiante as investigações, considerando o inusitado da situação: o Código de Ética e Decoro Parlamentar desapareceu. Na verdade, o documento não existe, tanto que, num senso de oportunismo, alguns vereadores se apressaram a sugerir, por meio de projetos, a criação de um novo código. Antes tarde do que nunca, mas fica a demonstração inequívoca de que o Legislativo cuiabano não zela pela sua própria imagem. As evidências de que Ralf Leite atropelou a ética e o bom senso são cada vez mais claras. A sessão pública da última segunda-feira (16), da Câmara Municipal, praticamente jogou uma pá de cal na intenção do vereador de permanecer na Casa. De fato, depoimentos de PMs que o flagraram em suposta atitude indecorosa para quem exerce função pública comprometem as denúncias de que ele teria sido vítima de extorsão por parte dos policiais. Na verdade, além de desacato, ameaça e abuso de autoridade, o parlamentar teria, isto sim, tentado comprar o silêncio dos militares. O Comando da PM anuncia que processará Ralf Leite por danos morais, ao mesmo tempo em que o Ministério Público Eleitoral o denuncia por suposta compra de votos nas eleições passadas. O inferno astral do vereador – por sinal, atualmente, no gozo de uma estranha licença médica para “tratamento psicológico” em Brasília – só contribui para agravar a sua situação no contexto do Parlamento. A sociedade cuiabana, certamente, não vai admitir que a tradicional “vista grossa” continue sendo a regra norteadora dos trabalhos parlamentares da Capital mato-grossense. A alta dose de desgaste que o Legislativo tem ingerido ao longo do tempo não permite que os nobres vereadores lavem as mãos e deixem que alguns vícios, como o corporativismo, absolvam Ralf Leite e deem ao Poder um atestado público de incompetência, de desprezo à ética e aos bons costumes. É sabido por demais que não é tarefa fácil para um político perceber o instante em que a sua retirada da cena pública é o melhor que tem a fazer para si e para coletividade. Isso, no entanto, não significa dizer que o afastamento de Ralf Leite por um período regimental – ainda por cima, recebendo normalmente os salários pagos pelo contribuinte – seja o remédio para o mal que ele causou. O jovem vereador do PRTB, infelizmente, já não reúne mais as condições necessárias para atuar como representante popular e, por conseqüência, usar as prerrogativas de homem público para fiscalizar atos relacionados à coisa e à moralidade públicas. Neste momento, a renúncia ao mandato se afigura como a saída mais honrosa para o parlamentar. Quando nada, seria a via menos dolorosa para um Legislativo cuja imagem, ao que consta, tem sido carcomida, ao longo dos anos, pelo vírus da corrupção. “O jovem vereador do PRTB já não reúne mais as condições necessárias para atuar como representante popular”

Edição EDIÇÃO 16967




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