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Editoriais
Segunda-feira, 01 de Julho de 2013, 19h:42

Recado do volante

Sob pressão da indústria automobilística, o Brasil optou pelo rodoviarismo. Desconsiderando sua superfície continental o País desmantelou sua modesta malha rodoviária federal, criou empecilhos às hidrovias e nunca buscou a intermodalidade no transporte. Assim, o Brasil se tornou dependente do transporte pelas rodovias nas curtas, médias e longas distâncias, para todos os tipos de cargas, desde as leve até as pesadas e especiais. Mesmo com essa opção o País não criou malha rodoviária capaz de absorver a intensa movimentação de seus possantes e, para complicar e dificultar ainda mais a profissão de motorista e carreteiro, a voracidade tributária nacional sobrecarrega o óleo diesel com impostos em cascata, lança cobrança abusiva para emplacamento e transferência documental de veículos, e mantém pedágios com tarifas que rondam a imoralidade. Cansados de dirigir por rodovias esburacadas, mal sinalizadas, sem ou com acostamentos precários; e das longas esperas pra descarregamento nos portos; inconformados com o preço do diesel, do pedágio e dos serviços nos Detrans, os profissionais do volante que transportam cargas decidiram suspender sua atividade por 72 horas, desde ontem. O protesto é liderado pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), não é radical e tem adesão do segmento de transporte mato-grossense. Os motoristas bloquearam rodovias em pontos estratégicos em vários estados. No entanto, permitem a passagem de ônibus com passageiros, automóveis, motos, utilitários, viaturas policiais e militares, e de veículos oficiais de modo geral. Com os bloqueios os motoristas querem mostrar sua força e importância às autoridades e principalmente a presidente Dilma Rousseff e ao Congresso Nacional. Esse objetivo certamente eles alcançarão, mas resta saber se conseguirão atendimento em suas pautas de reivindicação. O Brasil entraria em colapso com o desabastecimento de muitos setores caso os motoristas resolvessem radicalizar e aumentar o período dos bloqueios. Nem eles nem a população querem isso, mas em caso de continuidade do status quo, o trancamento das rodovias poderá descambar para um rumo muito preocupante. O governo tem que ouvir o grito ordeiro dos caminhoneiros. Não é justo que eles recolham tantos e tão altos impostos. Também não é justo que nos longos trajetos paguem pedágio neste País sem transporte rodoviário e sem hidrovias em operação comercial. É imprescindível que a relação Estado-frete mude por completo. Se a corrupção for banida, se o palacianismo for abolido, se os poderes em todas as suas esferas abrirem mão dos gastos supérfluos, as reivindicações dos caminhoneiros poderão ser atendidas. Em caso contrário, não, pois quem banca a farra chapa branca é o trabalhador com seus impostos diretos e indiretos. Que os homens públicos entendam que a ação dos caminhoneiros não é algo isolado, mas que se insere no grito de insatisfação popular contra a sujeira palaciana, que recai sobre os ombros do povo. Quem banca a farra chapa branca é o trabalhador com seus impostos diretos e indiretos

Edição EDIÇÃO 16962




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