Editoriais
Quarta-feira, 08 de Dezembro de 2010, 20h:45
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Recado à educação
Avanço lento na educação é incompatível com o ensino de qualidade que obrigatoriamente tem que ser ministrado aos estudantes. A morosidade na reconquista de espaços perdidos ou na consolidação de metas cria vácuos de saber para alunos em sala de aulas. Por mais que as transformações tardias beneficiem futuras gerações carregará para sempre a mácula da ineficiência em sua trajetória, ao longo da qual alunos ficam impossibilitados do pleno aprendizado. A recente divulgação pelo governo federal do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) relativo ao ano de 2009, revela que entre os estados Mato Grosso ocupa o modesto 12° lugar, com 389 pontos, abaixo da média brasileira, de 402 pontos e, bem inferior ao mesmo quesito no plano mundial, de 496 pontos. O desempenho mato-grossense na área significa avanço de cinco posições no ranking do estados no comparativo ao Pisa divulgado em 2006, quando o estado ficou na 17ª posição nacional alcançando 370 pontos ao passo que o Brasil obteve 384 pontos. O Pisa é um levantamento em 65 países e monitora o desempenho de alunos em leitura, matemática e ciências. Em 2009 seu público foi formado por 470 mil estudantes nascidos em 1993, sendo que nesse universo 20 mil foram pesquisados no Brasil. O avanço mato-grossense é inegável, mas o estado não tem motivo para comemoração. Ao subir da 17ª para a 12ª posição Mato Grosso apenas cumpriu seu dever e, o fez acanhadamente, porque quatro anos na área educacional é período suficente para conquistas mais ousadas e mais compatíveis com a realidade econômica e social da população. A educação mato-grossense avançou no macro, mas ainda capenga no varejo. No conjunto estrutural é visível a transformação físca da rede pública de ensino, melhoria do transporte escolar, formação continuada dos professores, pontualidade na folha de pagamento, vantagens salariais alcançadas e outros fatos positivos. Apesar desse avanço falta algo que as autoridades políticas e educacionais não conseguem explicar, como é o caso do Pisa, esse importante parâmetro de avaliação, que é feito com seriedade, isenção e que reflete com fidelidade o universo sob sua abrangência. Ao invés de justificativas para o fraco desempenho no Pisa o aconselhável é corrigir distorções, lançar mão de todos os expedientes possíveis e da forma mais transparente que se possa imaginar, para que nenhum aluno em classe nas escolas públicas em Mato Grosso tenha aprendizado aquém dos níveis necessários. Que no próximo ano letivo Mato Grosso encontre o caminho da superação de gargalos iguais a esse. Que isso aconteça não para destacar sua educação perante a população e os demais estados, mas para que a transformação ora pedida se transforme em fonte cristalina de didática e de aproveitamento pleno dos ensinamentos transmitidos. O recado do Pisa à educação pública em Mato Grosso é bem duro, claro e direto: algo tem que ser feito, agora, sem rodeios. A educação mato-grossense avançou no macro, mas ainda capenga no varejo