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Editoriais
Segunda-feira, 28 de Julho de 2008, 21h:30

Realidade e Unger

Arcaico modelo de colonização. Cultura do uso do fogo para a chamada limpeza de pasto. Mudança da legislação ambiental com a ocupação territorial em curso. Morosidade na liberação de planos de manejos florestais, que resulta em desmatamento clandestino. Limitação operacional do Incra, Ibama, Funai, Funasa, Sema e Intermat. Invasão de terras. A soma desses fatores levou a mídia internacional a criar a imagem satanizada de Mato Grosso. A pecha da satanização é luva para a concorrência internacional na esfera do agronegócio. Argumento melhor para criar barreiras econômicas escamoteadas sob falsas bandeiras ambientais, impossível. Os erros ambientais mato-grossenses são os mesmos do Brasil, observadas atipicidades regionais. Favelas do Rio de Janeiro e Salvador ocupam áreas de encostas, sem nenhum questionamento. Montanhas de Minas Gerais são revolvidas para a produção de ferro e aço, em atividades bem aceitas internacionalmente. Grandes hidrelétricas geram energia no Nordeste, Sudeste e Sul, diante do olhar de aprovação nacional. Porém, em Mato Grosso, o agronegócio está ao fio da navalha, a um passo da criminalização. Por que Mato Grosso é tão patrulhado? Tão questionado até mesmo por quem o conhece somente de fora para dentro? É simples. Um estado que produz 17,5 milhões de toneladas de grãos e plumas, que tem um rebanho bovino com mais de 26 milhões de cabeças, que lidera a safra de soja e algodão com índices de produtividade acima da média nacional é uma ameaça econômica à concorrência. Mais ameaçador ainda se torna com a arrancada em curso para a agroindustrialização, geração de energia de origem hidráulica e melhoria da logística com a busca pela consolidação de multimodais de transporte. O governador Blairo Maggi conhece bem essa situação. Tem sido voz incansável para desmontar essa pecha. Além disso, tenta mostrar a Brasília a irrealidade do noticiário sobre seu estado. Nesse sentido Maggi trouxe o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) a Mato Grosso para uma visita de três dias no final de semana. O visitante se reuniu com produtores, madeireiros, políticos, índios, empresários e integrantes de movimentos ambientais em nove municípios das áreas de cerrado e floresta. Ouviu, viu, conheceu por amostragem. Retornou com embasamento para levar adiante o “Plano de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia”, que resultará na política de longo prazo para a região. Certamente o ministro levou a imagem de um povo que produz, que é vítima da burocracia do governo e do imediatismo ambientalista - que tenta recuperar a degradação secular num piscar de olhos. Mato Grosso espera que a sensibilidade de Unger colocada a serviço da realidade derrube essa pecha no Planalto. “O ministro levou a imagem de um povo que produz”

Edição EDIÇÃO 16967




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