Editoriais
Terça-feira, 29 de Novembro de 2011, 20h:03
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Reação feminina
Política permanece universo com predominância masculina em Mato Grosso. Na bancada federal não há nenhuma cadeira ocupada por mulher. Na Assembleia Legislativa, com 24 deputados, somente Luciane Bezerra (PSB) e Teté Bezerra (PMDB e licenciada) compõem a legislatura em curso. Nos 141 municípios há somente oito prefeitas e 21 vice-prefeitas. Nas câmaras municipais os homens dominam os plenários e as mesas diretoras. O que faz Mato Grosso machista no campo da representação política? Esse e outros relevantes questionamentos deverão ocupar a pauta do 1º Encontro de Prefeitas e Vice-prefeitas de Mato Grosso, evento que acontecerá amanhã, na cidade de Ponte Branca, que na data completará 58 anos de emancipação política. A prefeita anfitriã, Jaqueline Soares Pires, sabe que seu evento não ganhará grande destaque no noticiário pela distância de sua cidade a Cuiabá e até mesmo pela maneira bem discreta como a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) o tratou. Mesmo assim, Jaqueline e suas colegas de prefeituras e vice-prefeituras tentarão extrair o máximo do encontro, que é aguardado como divisor ou marco político. As mulheres que respondem por administrações municipais acreditam que após o evento em Ponte Branca estarão fortalecidas e que o universo feminino passe a ocupar maior espaço no cenário administrativo e parlamentar mato-grossense. Até então a mulher mato-grossense permanece em plano político secundário. Entre os grandes municípios, somente Alta Floresta tem administração feminina, com a prefeita reeleita Maria Izaura. Marília Salles, em Rondonópolis, é a única mulher vice-prefeita entre os 10 maiores municípios. A pequena participação feminina na política pode mudar, porque no encontro em Ponte Branca, de modo suprapartidário, as mulheres defenderão a tese de que é preciso eleger vereadoras, vice-prefeitas, deputadas estaduais e federais, senadoras, vice-governadoras, governadoras e presidentas da República, a exemplo da atual, Dilma Rousseff. De igual modo, articularão para que o governo estadual abra mais espaço para a participação da mulher no secretariado e nos demais cargos de alto escalão. Longe dos holofotes, das câmeras e dos repórteres, em Ponte Branca duas dezenas de mulheres políticas lançarão a semente do compartilhamento de deveres entre homem e mulher na condução administrativa e na função parlamentar em Mato Grosso. O grito em Ponte Branca não terá grande repercussão jornalística, mas contará com a força feminina para ser difundido boca a boca nas escolas, creches, nos lares, nas igrejas, nas associações, nos sindicatos e por onde mais se possa imaginar. O reflexo do encontro em Ponte Branca começará a ser notado nas eleições municipais do próximo ano e ganhará força para 2014, pois até agora partidos e políticos traçam planos para disputar o governo e os cargos parlamentares como se eleição fosse Clube do Bolinha. O que faz Mato Grosso machista no campo da representação política?