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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010, 20h:29

Quatro anos depois

Decolagem perfeita para uma viagem que não seria concluída. Assim aconteceu em 29 de setembro de 2006 com o Boeing 737-800 da companhia Gol Linhas Aéreas, na etapa de Manaus (AM) a Brasília (DF) do Vôo 907 de Boa Vista (RR) ao Rio de Janeiro (RJ). A viagem dos 154 passageiros e tripulantes da aeronave da Gol foi interrompida no trecho da aerovia sobre a reserva indígena Capoto/Jarina, município de Peixoto de Azevedo, na região conhecida por Nortão, divisa de Mato Grosso com o Pará. O Boeing da Gol foi atingido por um jato executivo Legacy Embraer, que voava de São José dos Campos (SP) para os Estado Unidos, numa operação de entrega da aeronave pelo fabricante ao cliente. Tripulantes e passageiros do Legacy escaparam ilesos desembarcando no Campo de Provas Brigadeiro Veloso, da Força Aérea Brasileira, na Serra do Cachimbo (PA), onde o avião fez pouso de emergência, já que sofrera avarias em seu choque com o jato comercial, pois voava em direção contrária na mesma aerovia, porém em altitude conflitante. Transcorridos quatro anos desse que é o segundo maior acidente com aviões no Brasil, algumas perguntas sobre segurança em aviação civil desafiam a capacidade de resposta das autoridades do setor. Como se explica que dois aviões de última geração, equipados com os mais modernos sistemas de segurança em uso tenham se chocado no ar? Qual o preparo dos controladores de vôos no Brasil? E o que significa ‘claros’ nos radares em certos trechos da aerovia na região do acidente que vitimou os 154 ocupantes do Boeing da Gol? O processo em tramitação na Vara da Justiça Federal em Sinop pode até chegar aos responsáveis pela colisão aérea. As causas podem ser falhas de controladores de vôos ou indevida utilização ou omissão em não acionar os equipamentos que criam ondas de proteção no entorno das aeronaves contra outras que porventura voem em direção opostas a distâncias e ou altitudes que possam colocar em risco tanto o avião que detecta tal aproximação quanto o outro. Porém, lamentavelmente a aviação civil continuará exposta a outros acidentes, sobretudo na Amazônia Legal, por razões que nunca são reveladas. O Brasil precisa admitir sua limitada capacidade de oferecer segurança aérea na Amazônia, apesar da criação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) e de outros investimentos para segurança militar e proteção da aviação civil na região. Uma nação continental onde algumas de suas rotas aéreas sobrevoam centenas de quilômetros sobre mata sem presença humana em solo não pode permanecer com os ‘claros’ que ‘apagam’ aviões dos radares. Essa condição além de comprometer seriamente a aviação civil transmite a sensação de impotência militar para a proteção de uma região tão cobiçada quanto a Amazônia. À memória dos 154 mortos, o respeito de Mato Grosso. Ao Brasil o pedido para que se modernize e que seja capaz de operacionalizar sua aviação civil dentro dos padrões de segurança internacional. O Brasil precisa admitir sua limitada capacidade de oferecer segurança aérea

Edição EDIÇÃO 16968




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