NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

Editoriais
Quinta-feira, 06 de Agosto de 2009, 21h:47

Punição exemplar

A Câmara Municipal, até mesmo contrariando algumas expectativas, decidiu levar em conta os anseios de uma parcela bastante significativa da sociedade e aplicou ao vereador Ralf Leite (PRTB) a sentença política que ele bem merecia - a cassação do mandato. Pode-se dizer que foi um luta de fôlego, mas o Legislativo não fez mais do que sua obrigação, ao refletir o desejo daqueles que clamam pela moralização no exercício da função pública. É possível que, depois de refeitos do “susto”, os parlamentares que votaram pela cassação de Ralf Leite aleguem que tiveram de "cortar na própria carne" para tomar uma decisão de tamanha importância, num ambiente notoriamente marcado pelo corporativismo. Nada justificava, no entanto, o comportamento que o Legislativo Municipal adotara até esta histórica quinta-feira, dia 6 de agosto, em fazer ouvidos moucos aos apelos da opinião pública. A cassação do vereador ocorre num momento em que a Câmara Municipal, por meio de sua Mesa Diretora, luta para se desvencilhar de uma imagem ultrapassada e corrupta. A punição a Ralf Leite, quando nada, seria apenas o começo de uma assepsia que se pretende atinja toda a estrutura legislativa, sob pena de a população, definitivamente, perder a confiança nos cidadãos que elegeu para representá-la no Parlamento. Uma maioria considerável (16 vereadores) julgou que já passava da hora de ser dar a um basta nesse estado de coisas, em que a irresponsabilidade de toda a ordem passara a fazer parte do cotidiano, a ponto de a Câmara, jocosamente, ganhar o apelido de “Casa de Escândalos”. Uma minoria (três parlamentares, incluindo o réu), andando na contramão do bom senso, se revelou cúmplice da imoralidade, remetendo à suspeita da existência, nesse contexto, de interesses inconfessáveis. Parece não haver dúvida de que essa cultura que confunde imunidade parlamentar com impunidade, gradativamente, começa a ser deixada de lado no Legislativo da Capital mato-grossense, não apenas pela simples vontade dos “nobres” vereadores, mas muito em razão da pressão da opinião pública, que não tem tolerado esse padrão corporativista de comportamento. O melhor remédio para combater esses males que solapam a moral e os bons costumes, não há como negar, é investigar a fundo as maracutaias, por menores que possam ser. E, obviamente, punir com o rigor necessário todos aqueles que fraudaram os cofres públicos e que abusaram de suas prerrogativas legais. Temia-se, a bem da verdade, que, a julgar pelo histórico de impunidade que sempre marcou a Câmara Municipal, o destino do polêmico Caso Ralf Leite fosse, como o de tantos outros, o esquecimento. Felizmente, aqueles que têm compromisso com a cidade e seu povo deram uma demonstração de seriedade, inclusive, com votação aberta para a perda de mandato de Ralf Leite. Agora, a Câmara de Cuiabá precisa criar coragem para banir a roubalheira. Esse passo foi dado, por sinal, ontem mesmo, com a instalação da Comissão Processante que vai investigar todas as denúncias contra o ex-presidente da Casa, Lutero Ponce (PMDB), sobretudo, de malversação do dinheiro do contribuinte. Acredita-se que, com a cassação de Ralf Leite, abre-se um processo político de moralização do Legislativo Municipal. A sociedade agradece. “Cassação de Ralf abre um processo político de moralização da Câmara Municipal de Cuiabá”

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL