O aspecto mais curioso divulgado agora entre dados preliminares do Censo da Educação Básica 2004 não é a constatação de 102,8 mil alunos-fantasmas, que se prestam para ampliar as verbas federais destinadas às prefeituras, fato que precisa ser devidamente apurado para as necessárias correções. O que mais chama a atenção é a corrida entre jovens e adultos por modalidades alternativas ao ensino médio regular. Essa particularidade explica o fato de, entre 2003 e 2004, o aumento de matrículas no ensino médio regular ter sido de apenas 1%. Em compensação, há 18% mais pessoas cursando a Educação para Jovens Adultos (EJA, antigo Supletivo) e 14,5% a mais no ensino técnico. No primeiro caso - o da educação para jovens adultos -, a explicação para essa inusitada afluência estaria no fato de que a formação pode ser concluída em até um ano, ao invés dos três anos exigidos na seriação normal. Era o que atraía os retardatários para o antigo Supletivo. No segundo caso - da percentagem de matrículas nos cursos profissionalizantes -, tal aumento pode ser interpretado como a busca de um atalho para o mercado de trabalho. Tais cursos asseguraram uma formação profissional voltada para o mercado, com um olhar mais pragmático. Em ambos os casos, fica evidente a preocupação em buscar habilitações educacionais no menor prazo possível e superar a defasagem entre idade e série cursada. Há nessas tendências aspectos positivos inegáveis, especialmente os que dizem respeito à tentativa de recuperar o tempo perdido por parte de alunos defasados, ou os que entregam aos estudantes uma ferramenta que os habilita a disputar espaços no mercado de trabalho. Mas há, especialmente na opção pela EJA, o risco de, ao abreviar o período de escolaridade, reduzir a qualidade do aprendizado. Por isso, é importante que esse resultado preliminar acenda uma luz amarela nessa questão. Cabe aos governos dar uma atenção especial a esta área, impedindo que a pressa na formação ou a preocupação com o ensino técnico contribuam para baixar o nível da educação. A qualidade está se tornando uma questão tão crucial e estratégica quanto a da própria universalização do ensino. Os exemplos de países como Irlanda e Coréia do Sul demonstram que o caminho do desenvolvimento está fazendo novas exigências e todas elas passam necessariamente por uma população mais educada e mais qualificada. A qualidade está se tornando uma questão crucial e estratégica