Editoriais
Sábado, 12 de Janeiro de 2013, 13h:48
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Por uma nova AMM
Entidade que não é representativa é decorativa. Sabedores dessa máxima popular os prefeitos de Mato Grosso elegerão no próximo dia 31, a diretoria da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com 16 integrantes, que a partir de fevereiro cumprirá mandato por um biênio. Na sexta-feira (11), depois de articulações políticas, duas chapas suprapartidárias foram lançadas. Uma encabeçada pelo prefeito de Juscimeira, Valdecir Luiz Colle, o Chiquinho (PSD). Outra, pelo prefeito peemedebista de Alto Paraguai, Adair José Alves. Ambos cumprem o segundo mandato consecutivo em seus municípios. Para os padrões de viagens em Mato Grosso, as distâncias entre as cidades dos candidatos e a AMM são relativamente curtas: Alto Paraguai dista 220 quilômetros e Juscimeira, 155 quilômetros. Independentemente de quem vença a eleição a AMM precisará mudar por completo seu enfoque funcional, tradicionalmente de extrema submissão ao governo estadual e insosso no campo da defesa dos municípios, a exceção de sua atuação nos caros, cansativos e inócuos encontros promovidos pela entidade nacional dos prefeitos, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O crônico atrelamento da AMM com o poder estadual foi atestado ao longo do tempo pelo noticiário factual. Também pode ser notado pela migração de ex-presidentes para cargos comissionados no governo, como acontece agora com Meraldo Sá (secretário de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familar) e aconteceu com Fausto Faria, Érico Pianna, Vilceu Marchetti, Ezequiel Fonseca e Cidinho dos Santos. Não se sugere neste texto que a entidade que representa os prefeitos mantenha postura de intransigência com o governo, afinal trata-se de um ente político que tem o dever de dialogar. O que se espera é que a AMM não inverta seu papel de instrumento de cobrança sistemática em mecanismo de submissão e funcione como linha auxiliar do Palácio Paiaguás e da Assembleia Legislativa. A AMM tem orçamento anual de R$ 12 milhões, que são regiamente consumidos por seu custeio e outros gastos com viagens para congressos e etc. Esse montante se não for bem utilizado se torna sangria nos cofres públicos. Em caso contrário justifica-se sua destinação. Uma entidade com tamanha receita assegurada pela pontual contribuição das prefeituras e outros aportes pode se tornar útil, desde que tenha à sua frente uma diretoria realmente compromissada com a base territorial de Mato Grosso. Alto Boa Vista acaba de perder 70% do território sob sua administração plena, pois essa área foi reconhecida como terra indígena e passa a tutela da Funai. No entanto, nunca a AMM manifestou apoio, não apontou solução nem abriu caminhos à recuperação daquele município. A violência acontece nos municípios, onde também se vê a precariedade da saúde, onde há gargalos na educação e habitação. Tudo isso acontece sem que a AMM se mobilize, saia às ruas, proteste com vigor. Que a nova diretoria a transforme em entidade representativa. Independentemente de quem vença a eleição a AMM mudar por completo seu enfoque