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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009, 00h:44

Perigo dos fuzis

Além de primeira apreensão de fuzis em Mato Grosso, a ação da Polícia Rodoviária Federal na BR-070 em Primavera do Leste também soa como preocupante aviso às autoridades da Segurança Pública mato-grossense deixando claro que o estado é utilizado como rota para crimes transnacionais ligados ao narcotráfico e suas ramificações como o tráfico internacional de armas. Nunca a PRF revelará se a apreensão dos fuzis no teto de uma picape foi ocasional, motivada por denúncia anônima ou pelo instinto policial. Esse detalhe é omitido por razões estratégicas, mas não tira o mérito da ação e certamente será tema tratado entre quatro paredes pelas autoridades da Segurança Pública. Porém, independentemente da razão que levou a PRF às armas, a utilização de rodovias mato-grossenses para alimentar com fuzis o crime organizado no Rio de Janeiro é algo duplamente preocupante. Primeiro pelo objetivo criminoso em si. Depois, porque do mesmo modo em que os arsenais cruzam o estado também podem permanecer em seu território para a mesma finalidade a que se destinam fora de seus limites. O crime organizado tem invejável infraestrutura e age inteligentemente – no pior sentido dessa palavra – para ampliar sua base operacional. Nos anos 1980, quando o narcotráfico expandiu no Rio, Mato Grosso era mero corredor da cocaína, também chamado “Corredor do Pó”. Os chefões dos cartéis descobriram novo filé financeiro no trajeto da droga ao longo das rodovias mato-grossenses e lançaram seus tentáculos nessa área. O resultado é a banalização da criminalidade e a criação de legiões de usuários de cocaína. O que aconteceu em relação às drogas em Mato Grosso pode se repetir no tocante às armas de uso privativo das Forças Armadas e das polícias. A primeira situação é enfrentada pelo estado em todas as suas esferas, tanto no campo policial quanto nas áreas de saúde e psicológica. Porém, se as quadrilhas que agem em Cuiabá e no interior se armarem com fuzis o aparato policial estadual não terá meios para o enfrentamento dessa situação que é corriqueira no Rio. Antes que o pior aconteça a Secretaria de Justiça e Segurança Pública tem que empreender ações compartilhadas de inteligência e operacionais com as Forças Armadas, Polícia Federal e PRF no combate ao tráfico de armas. A violência enfrentada pela polícia em Mato Grosso ainda não está calcada na utilização de fuzil pelo poder de fogo marginal. Dois dias antes da apreensão do carregamento de armas em Primavera a Marinha do Brasil doou e entregou 50 fuzis à PM em Cuiabá e esse armamento aumentará consideravelmente o arsenal policial. As quadrilhas podem perfeitamente bem se armarem com fuzis, como demonstrou a apreensão em Primavera. Se no teto de uma picape o crime organizado consegue esconder tantas armas, imaginem o que acontecerá caso resolva repetir em Mato Grosso o que faz no Rio? “Os chefões dos cartéis descobriram novo filé financeiro”

Edição EDIÇÃO 16968




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