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Editoriais
Sábado, 14 de Julho de 2007, 14h:02

Pausa para a emoção

O país parou na tarde de sexta-feira para acompanhar a bonita festa de abertura da 15ª edição dos Jogos Pan-Americanos, que reúne mais de 5 mil atletas de 42 nações no Rio de Janeiro. Durante duas semanas, jogadores, nadadores, halterofilistas, lutadores, ginastas, remadores, atiradores, ciclistas, corredores e saltadores estarão envolvidos numa disputa por medalhas em 38 modalidades esportivas, mas também num espetáculo de integração que contrasta com a história de antagonismos políticos e desigualdades sociais do continente. O sonho de cooperação continental na América só se aproxima da realidade em eventos desta natureza. Para o Brasil, os Jogos do Rio de Janeiro têm um significado especial, pois representam uma pausa na violência urbana, o desvio de foco dos escândalos políticos e também a prova de que a competência brasileira para organizar um grande espetáculo não se restringe ao Carnaval. A festa começou com a presença emblemática da cantora Elza Soares, interpretando o Hino Nacional, seguida de um show de samba. A música acompanhou o desfile de apresentação das delegações, sob um slogan significativo para a largada dos Jogos: Viva essa Energia. Da energia em todas as suas formas à prece pela paz, o Maracanã foi palco de um desses momentos mágicos que renovam a esperança na raça humana. Ao exibir as bandeiras e as cores de seus países, os jovens atletas ostentavam o orgulho saudável de pertencimento a um povo e a uma pátria, sem o nacionalismo exacerbado que leva a conflitos e guerras. O esporte tem este poder, de confrontar forças e habilidades num ambiente democrático de regras destinadas a proporcionar oportunidades iguais e a regular comportamentos. O pan-americanismo congrega este sonho de igualdade e convivência para os povos das três Américas unidas em uma só, com uma visão de crescimento e desenvolvimento que beneficie a todos. Mesmo num ambiente político de dúvidas geradas por diferenças ideológicas dos atuais ocupantes do poder, a América está em paz e esta já é uma paz duradoura, respaldada na estabilidade econômica e na vocação democrática das populações. Temos, portanto, bons motivos para a celebração esportiva ora em curso. Tem igualmente o povo brasileiro razões para acreditar que a trégua dos Jogos Pan-Americanos poderá se estender por mais tempo, sem que se transforme numa cortina para a impunidade e para o ocultamento de problemas que o país precisa enfrentar com a mesma coragem dos atletas diante dos desafios do esporte. A hora é de superar limites e de transformar o prazer de competir num estímulo permanente para o atingimento de metas mais ousadas - de ordem e de progresso, como sugeria a bandeira empunhada pelo maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima no momento mais emocionante da festa, quando o público do Maracanã sambou, orgulhoso de ser brasileiro.

Edição EDIÇÃO 16968




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