NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

Editoriais
Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010, 20h:14

Oportunidade diplomática

A pauta da reunião do governador Silval Barbosa com o ministro de Hidrocarburetos da Bolívia, Carlos Villegas, em Santa Cruz da la Sierra, hoje, é o restabelecimento do fornecimento de gás natural boliviano ao estado, para assegurar a retomada da geração de energia pela termelétrica de Cuiabá. Porém, outro tema tão ou até mais relevante ainda deveria ser incluído pelo governante mato-grosense à pauta da conversação com o anfitrião. A Bolívia mantém um rígido controle sobre o trânsito de veículos de cargas e ônibus estrangeiros em seu território, em nome da chamada reserva de mercado de volante, que a transforma em verdadeira barreira na interligação continental bioceânica Atlântico-Pacífico, o que afeta em maior dimensão o Brasil, Peru e Chile. Mato Grosso discute timidamente com La Paz o fim dessa reserva, há 15 anos, mas sem conseguir nenhum tipo de avanço, porque além da resistência governamental há forte pressão de Central Operária Boliviana (em sua tradução para o português), que não admite sequer a abordagem desse tema. A reserva de volante no território da Bolívia praticamente impede o acesso mato-grossense aos portos no norte do Chile e sul do Peru, no oceano Pacífico. Esse entrave joga para cima os preços de produtos importados dos Tigres Asiáticos pelo Brasil e das commodities agrícolas brasileiras que se destinam àquelas nações e a outras do continente asiático. Indiferente aos transtornos que causa aos vizinhos e insensível aos prejuízos advindos de sua política internacional, La Paz não cede. Esse posicionamento tem forte apelo nacionalista e antecede o governo do presidente Evo Moraes. A Bolívia adota postura inflexível não somente por razões de ordem econômica, mas principalmente como resposta civil aos danos territoriais sofridos nas guerras travadas com vizinhos que lhe tomaram o Acre (Brasil), parte do chaco (Paraguai) e a saída ao Pacífico (Chile). Silval tem bom argumento para propor a abertura das carreteras (estradas) bolivianas a Mato Grosso e consequentemente ao Brasil. Nesse momento está em curso uma negociação entre os presidentes Alan García (Peru) e Evo Morales, para a exploração compartilhada do porto peruano de Illo, como parte de um pacote ancorado na compra de gás natural boliviano por Lima. O Peru tem moderna estrutura portuária em Illo, que pode se transformar em avenida para o comércio exterior boliviano, como sugere o presidente Alan García. O governador de Mato Grosso não pode perder os bons ventos do momento de convergência diplomática dos nossos vizinhos separados pelo deserto do Atacama. Silval precisa propor um amplo e duradouro sinal verde de interesse mútuo ao trânsito internacional nas carreteras e rodovias dos dois lados da linha imaginária que une Brasil e Bolívia. O governador de Mato Grosso não pode perder os bons ventos do momento de convergência diplomática

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL