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Editoriais
Quinta-feira, 05 de Janeiro de 2012, 20h:12

Ontem, hoje e amanhã

Folia de Reis ou Terno de Reis é o nome de uma das importantes manifestações culturais brasileiras, que se transmite de geração a geração desde os primórdios da colonização portuguesa. O ponto alto da Folia ou Terno de Reis é o dia 6 de janeiro, data consagrada pela Igreja Católica aos três reis magos Baltasar, Melchior e Gaspar, que visitaram o Menino Jesus na estrebaria onde nasceu na cidade de Belém, conforme narram trechos dos Evangelhos contidos na Bíblia - o livro sagrado dos cristãos. Portugal trouxe essa manifestação cultural para Mato Grosso nos idos do domínio da Coroa Portuguesa. Aqui, ela encontrou terreno fértil e se espalhou pelas primeiras cidades mato-grossenses. A tradição anual de se reverenciar os três reis magos se incorporou ao conteúdo da cultura local ganhando importante espaço que foi mantido até a grande transformação social que começou na década de 1970 com as levas de migrantes que aportaram em Cuiabá e outras cidades. A televisão, o telefone fixo, a telefonia celular, a internet com suas redes sociais, o modelo residencial condominial, o medo coletivo da banalidade da violência e outros fatores praticamente sepultaram a Folia ou Terno de Reis em Mato Grosso. Não somente a Folia ou Terno de Reis morreu em Mato Grosso. Outras manifestações culturais desapareceram ou estão bem próximo dessa situação. Nesse trágico contexto ainda sobrevivem o cururu, o siriri, a Cavalhada em Poconé, a Festança em Vila Bela da Santíssima Trindade, a Procissão Fluvial de São Pedro na vila de Bom Sucesso em Várzea Grande e poucas outras. Não se pode negar que o desaparecimento de boa parte da tradição cultural é resultado das transformações sociais e da dependência cada vez maior do homem ao mundo da tecnologia. Porém, mesmo diante dessa realidade é possível recuperar o patrimônio cultural perdido e promover seu fortalecimento em Cuiabá e nos demais municípios, desde que se crie política pública para tanto. Falta política cultural em Mato Grosso. A Secretaria de Cultura estadual e suas homônimas em Cuiabá e Várzea Grande – também em outros municípios – se transformaram em órgãos burocráticos focados em palestras que abordam temas alheios e são promovidas por figuras estranhas; se tornaram apoiadores de urbanóides eventos sem identidade histórica com o povo mato-grossense nato e os que optaram por viver nesta Terra de Rondon. Se não houver uma guinada radical de enfoque por parte dos órgãos públicos da área, em breve o Estado – em todas as suas esferas – mudará a identidade mato-grossense conferindo a ela nova roupagem, esta recém-criada, sem raízes, sem tradição, sem passado, sem o DNA da alma de Mato Grosso. Um aglomerado de pessoas somente é povo quando tem identidade histórica e cultural. O Poder Público precisa entender que para viver o hoje e buscar o amanhã é preciso respeitar o ontem. “Um aglomerado de pessoas somente é povo quando tem identidade histórica e cultural”

Edição EDIÇÃO 16966




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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