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Editoriais
Terça-feira, 02 de Junho de 2009, 21h:10

Omissão e morte

Um homem de 29 anos morreu com suspeita de dengue hemorrágica no Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá, no último final de semana. F.R.C. morava na cidade de Diamantino (208 km a Médio-Norte da Capital) e faleceu no sábado (30). Outras duas pessoas morreram com a doença, na semana passada, na mesma unidade hospitalar. Diante dos sinais cada vez mais nítidos de uma epidemia, a morte desse cidadão poderia ser encarada como mais um caso trágico, num contexto em que a doença não perdoa, simplesmente mata. Contudo, há que se considerar que, a cada dia que passa, o mosquito transmissor da dengue, o Aedes Aegypti, infelizmente, está vencendo a guerra deflagrada pela Vigilância Sanitária. Com efeito, com a morte do cidadão diamantinense, conforme este Diário registrou ontem, sobe para 32 o número de óbitos causados pelo surto de dengue, somente neste ano, em Mato Grosso. Já Cuiabá acumula, nesse primeiro semestre, nada menos do que 7.671 casos de dengue, sendo 92 do tipo hemorrágico e 65 com complicações. Em 2009, a Secretaria de Estado de Saúde já registrou ao menos 994 casos graves da doença, recorde considerado “histórico”. Há pouco mais de um mês, Estado e Município ensaiaram uma ação conjunta para combater o mosquito da dengue. Até hoje, por sinal, ainda se vê propaganda institucional do Poder Público, conclamando os cidadãos a participar de um “mutirão”. Lamentavelmente, à medida que as campanhas – pelo menos na mídia – se intensificam, os casos fatais da doença são registrados. Alguma coisa está errada. Com a proximidade do anúncio oficial das cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014 pela Fifa – fato ocorrido no domingo (31) -, ao que parece, os ânimos se arrefeceram no que se refere às ações de combate à dengue. Ao que parece, a euforia tomou conta de todos, a ponto de a própria população relaxar e deixar de tomar os necessários cuidados para eliminar os criadouros do mosquito. É preciso ficar claro que o quadro preocupante de epidemia de dengue na Capital – nesse caso, não se contabilizam os registros de casos no Interior - é uma demonstração cabal de que essa doença não configura privilégio de região alguma. Em meio à euforia da Copa de 2014, aumentam as notificações de novos casos de dengue, quase diariamente, assim como crescem os registros de óbitos. É válido festejar a decisão da Fifa, convenhamos, mas o Poder Público não pode se desfazer de suas responsabilidades, relegando a um plano secundário a implementação de políticas preventivas. A dengue é um mal que, em verdade, já deveria estar sob controle da Saúde Pública. É, também, uma doença do descompromisso com a cidadania. Afinal, se cada cidadão fizesse sua parte na prevenção, a dengue, certamente, já teria sido erradicada ou estaria em níveis bem próximos da taxa zero. Lamentavelmente, a indiferença e a irresponsabilidade abrem caminho ao mosquito. “Se cada cidadão fizesse sua parte na prevenção, a dengue já teria sido erradicada”

Edição EDIÇÃO 16968




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