Editoriais
Quarta-feira, 16 de Abril de 2008, 21h:34
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Omissão e desgaste
O recolhimento do lixo em Cuiabá, além de ser um problema que afeta diretamente o cotidiano de milhares de cidadãos, parece fadado a se transformar numa eterna polêmica, colocando em posições antagônicas o Executivo e o Legislativo do município. Isso, quando a realidade deveria ser bem diferente, ou seja, ambos os poderes deveriam, isto sim, estar unidos na defesa dos interesses coletivos. Principalmente, sobre a questão do lixo. Como se sabe, no mês passado, a Câmara criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar uma série de denúncias sobre supostas irregularidades, sobretudo, na contratação de uma empresa para fazer a varrição, a coleta e o transporte do lixo da Capital para o Aterro Sanitário. A CPI do Lixo foi instalada, mas, até agora, realizou só duas reuniões, quando se acreditava na celeridade dos trabalhos, diante de uma questão tão delicada como a que se propôs a investigar. O inconveniente, conforme tem sido amplamente divulgado, é que a prefeitura, mesmo diante da prorrogação de prazos estabelecidos, não se dignou a atender às solicitações da Câmara, no sentido de enviar cópias dos processos licitatórios e de contratação da Qualix, a empresa que faz a coleta do lixo. Por conta disso, a CPI praticamente não anda e um suposto descaso, num misto de desacato por parte do prefeito Wilson Santos (PSDB), é sugerido pelos integrantes da comissão, entre eles, o presidente, vereador Francisco Vuolo (PR). Curiosamente, dias depois do anúncio de instalação da CPI, o próprio prefeito, em entrevista, elogiou a postura do Legislativo e, até, se colocou à disposição, caso houvesse necessidade, para prestar esclarecimentos. Estranhamente, o Executivo reluta em encaminhar os documentos solicitados, o que levou a comissão a impetrar um mandado de segurança, buscando, dessa forma, apoio na Justiça. Quanto mais o tempo passa e a prefeitura se omite para muitos, há um flagrante desrespeito ao Legislativo -, a imagem a administração municipal se desgasta e crescem as suspeitas de que algo de errado existe, de fato, em todo o processo que resultou na contratação, em caráter emergencial, da citada empresa para operacionalizar o lucrativo serviço de coleta e varrição do lixo. A situação se agrava com a divulgação pela CPI do Lixo, ontem, de um relatório da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), que revela que o Aterro Sanitário de Cuiabá apresenta graves problemas operacionais que resultam em poluição e degradação do meio ambiente, pelo simples fato de que o município não respeita a legislação. A sociedade acompanha com redobrado interesse a polêmica sobre a coleta do lixo. Ao se negar a encaminhar ao Legislativo as informações sobre a operacionalização do sistema, não há como negar, o Executivo só alimenta as suspeitas de que algo de muito errado existe, de fato, no setor. A polêmica sobre a questão do lixo em Cuiabá interessa à sociedade, que anseia por solução