Editoriais
Sexta-feira, 25 de Maio de 2012, 21h:23
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O quê da industrialização
Mato Grosso somente eliminará seu forte desnível social com o fortalecimento do setor industrial. Para tanto terá que redirecionar a política que regulamenta este importante segmento dando enfoque de amplitude à mesma, sem se prender do bairrismo que é incompatível com a figura do Estado moderno de direito. Em tese, Mato Grosso vive bom ciclo de industrialização. Plantas do agronegócio aumentam produção ou se instalam nos polos de Cuiabá, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Tangará da Serra, Rondonópolis, Campo Verde, Barra do Garças e em outras cidades. Para a economia estadual isso se traduz em crescimento. Porém, paralelamente a isso a concentração das indústrias nos principais municípios, ainda que involuntariamente agrava o desnível social. Ontem, industriais e figuras do governo celebraram o Dia da Indústria. Em Cuiabá, não houve nenhuma declaração em defesa da utilização do segmento industrial para reduzir os desníveis sociais. A Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt) e a Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme) não se posicionaram sobre a questão mantendo o silêncio que as caracteriza quando se trata da defesa dos pequenos e pobres municípios sem peso político e sindical. Mato Grosso tem um grupo de pequenos municípios órfãos do garimpo de ouro e diamante disperso em diversas regiões. O reaquecimento da economia destas áreas passa necessariamente pelo processo industrial, porque somente com a geração de emprego é possível gerar renda de modo abrangente para integrar mais cidadãos ao processo econômico que dita o poder de compra, que efetivamente melhora a qualidade de vida do indivíduo e seus familiares. Quando determinado grupo empresarial anuncia que pretende investir numa planta frigorífica em Mato Grosso o dedo oficial da Sicme e a mão da Fiemt que representa o setor industrial acenam para Rondonópolis, Sinop, Cáceres, Primavera do Leste ou outra grande cidade. No entanto, nenhuma delas cita Alto Paraguai, Tesouro, Novo Mundo, Paranaíta, Santo Afonso ou os demais municípios órfãos do garimpo. A obtusa política da centralização industrial fere o interesse maior de Mato Grosso, que é a qualidade de vida de sua população. Até quando esta indiferença continuará? Até quando a Assembleia Legislativa permanecerá alheia a este fato, sem se preocupar em elaborar legislação eficaz suficientemente capaz de estabelecer núcleos de incentivos fiscais com duração estabelecida, para permitir, por exemplo, que Alto Paraguai, ao lado do Chapadão do Parecis, ganhe indústria que utilize matéria-prima do agronegócio? A melhor definição da data ontem celebrada por industriais, representantes do governo e sindicalistas patronais seria, Dia da Indústria para Alguns. O Estado de Mato Grosso tem que olhar além das grandes e médias cidades. Precisa ampliar o raio de sua visão para enxergar a dura realidade dos municípios órfãos do garimpo, pois somente assim será Estado socialmente justo e plenamente integrado. O Estado de Mato Grosso tem que olhar além das grandes e médias cidades