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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012, 21h:03

O governo e os servidores

A decisão da presidente Dilma Rousseff de suspender o pagamento dos dias parados de quem se excedeu na greve, deixou inconformados os servidores federais, que decidiram recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) exigindo seus ‘direitos’. A tentativa de reverter uma inédita decisão que levou milhares de funcionários a ficarem com seus contracheques zerados remete automaticamente aos prejuízos enfrentados nos últimos meses por cidadãos de todo o país – esses, sim, desrespeitados em direitos mínimos por parte do poder público. Por isso, e por mais que alguns servidores se mostrem agora surpresos com o fato de o atual governo não se mostrar condescendente como os demais, a decisão do Planalto não poderia ser mais sensata. O governo não pode fechar os olhos para situações de defasagem salarial, mas também não tem como se tornar refém de sindicatos e categorias que já ostentam situação diferenciada em relação aos demais trabalhadores. É óbvio que os funcionários públicos, mesmo os mais privilegiados, têm o direito a reivindicar melhores ganhos e mesmo de paralisar as atividades, desde que mantidos alguns cuidados elementares. Um deles é o de que os serviços prestados, muitos dos quais exclusivamente pelo poder público, não sejam simplesmente descontinuados. A questão é que, na falta de uma regulamentação da greve nos serviços oficiais – por uma omissão conveniente apenas ao Congresso, pois os parlamentares não querem se indispor com as corporações –, algumas categorias partiram para a radicalização, esquecendo-se de contemplar direitos mínimos dos brasileiros, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. O resultado foi uma pressão desmedida e em níveis inaceitáveis, tanto sobre o Planalto quanto sobre a população. Com o endurecimento da posição governamental, algumas categorias já estão retornando ao trabalho. Por algum tempo, porém, a sociedade continuará marcada por excessos com os quais o Executivo não tem como consentir. Devido às chamadas operações-padrão da Polícia Federal, Receita Federal e Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mercadorias deixaram de ser carregadas ou descarregadas dos navios. A decisão afetou desde pacientes que dependem de medicamentos especiais até empresas que ficaram sem insumos para produzir. E, além de prejudicarem o direito de ir e vir dos cidadãos, policiais rodoviários não hesitaram em afrontar o poder público, chegando a estender uma faixa na Via Dutra, no Rio de Janeiro, com a inscrição: “Passagem livre para tráfico de drogas e armas”. É o tipo de abuso que o poder público não pode tolerar. Em meio a tantos excessos e prejuízos, o governo vem agindo como deveriam ter agido todos os demais que o antecederam, buscando conciliar os interesses do país com os dos servidores. O país precisa aproveitar o momento de negociações com servidores para enfrentar as corporações, regulamentando finalmente a lei de greve no setor público. O governo vem agindo como deveriam ter agido todos os demais que o antecederam

Edição EDIÇÃO 16961




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