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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

Editoriais
Sábado, 16 de Junho de 2012, 13h:46

O futuro que queremos

Há pelo menos duas maneiras de se observar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que desde a última quarta-feira até a próxima reúne representantes de mais de cem países para debater um documento-base denominado O Futuro que Queremos. Uma delas é a pessimista, reforçada pela lentidão dos avanços na área ambiental e pela ausência de alguns influentes líderes internacionais, devido ao aguçamento da crise econômica e financeira nos países desenvolvidos e à resistência de conflitos bélicos regionalizados, que continuam demandando recursos financeiros e a atenção de parcela da população mundial. A outra visão é a otimista, que vê como meritório o fato de, mesmo em meio a tantas dificuldades, líderes mundiais se empenharem, de forma organizada e civilizada, na busca de soluções para o planeta. E é sob esse prisma que a cúpula precisa ser encarada. O resultado do encontro deverá ser considerado histórico, como adverte o economista norte-americano Jeffrey Sachs, diretor do Instituto da Terra, não em consequência da definição de acordos ou de uma convenção firmada por todos os países participantes. O significado da Rio+20 está na dependência sobretudo da capacidade de seus participantes definirem Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, reafirmados ontem na abertura do Pavilhão Brasil pela presidente Dilma Rousseff. São metas equivalentes aos chamados Objetivos do Milênio, prevendo desde maior uso de energias renováveis até ênfase à reciclagem do lixo, que seriam assumidas pelos países-membros das Nações Unidas a partir de 2015. Isso significaria, na prática, o compromisso com padrões de desenvolvimento voltados para o combate a chagas como a pobreza, a fome e as doenças, levando em conta não apenas aspectos econômicos, mas também implicações de ordem social e ambiental. E esse seria um passo histórico para a humanidade. Assim como a Rio 92, a Rio+20 tem todas as condições de se transformar numa referência. Entre os avanços e retrocessos que se seguiram desde então, a conferência de duas décadas atrás deu margem ao Protocolo de Kyoto – com as atenções voltadas para as mudanças climáticas –, à criação da convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica e à Agenda 21. Nesse período, países ricos, entre os quais os maiores poluidores, enredaram-se na crise econômica, enquanto nações então em desenvolvimento ascenderam à condição de novas potências – casos da China, Índia, África do Sul e Brasil, hoje protagonistas de peso sob o ponto de vista da preservação. A conquista de um mundo mais sustentável não ocorrerá de um momento para outro e depende da capacidade de eventos como a Rio+20 contribuírem de forma mais efetiva para conciliar desenvolvimento com pressupostos socioambientais. É esse o legado do entendimento que a conferência mundial precisa oferecer num mundo no qual a reduzida atenção ao meio ambiente coloca em risco a qualidade de vida e até mesmo o futuro da humanidade. A Rio+20 tem todas as condições de se transformar numa referência

Edição EDIÇÃO 16961




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