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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

Editoriais
Sábado, 25 de Abril de 2015, 13h:29

O exemplo de Dante

Jornalismo também é a arte de mexer com o inconsciente coletivo despertando os indivíduos. Essa esfera é bem mais abrangente que o exercício oficioso da futurologia com base no ‘achômetro’, porque ela não permite que a volatilização dos fatos impeça que o cidadão trace comparativos entre o ontem e o hoje. Jornalismo é a ciência da Comunicação. É a profissão que tem poder para mudar o mundo, quando exercida com independência. Esse predicado, que é uma espécie de mística, não deixa o Diário de afastar de seus conceitos éticos calcados em seu compromisso com Cuiabá, Mato Grosso e o Brasil, como tem sido sua postura desde que entrou em circulação no distante 24 de dezembro de 1968 pela ousadia de seu fundador o jornalista e radialista cuiabano João Alves de Oliveira. Em nome da ciência citada e que tem poder para mudar o mundo, o Diário busca na classe política mato-grossense um exemplo do ontem, que bem serve de norte aos políticos do agora, quase todos desgastados pela conjuntura nacional. É preciso sacudir Mato Grosso, remexer sua memória e fazê-lo refletir sobre a votação da emenda das Diretas-Já, do saudoso deputado cuiabano Dante de Oliveira, em 25 de abril de 1984 – já se passaram 31 anos. A emenda de Dante foi a espinha dorsal da redemocratização nacional. O Brasil não vivia mais os Anos de Chumbo, mas ainda permanecia sob o tacão ditatorial. O deputado cuiabano não obteve o número suficiente de votos para a aprovação de sua emenda, mas fora do plenário da Câmara dos Deputados, a vitória de sua propositura foi retumbante. A votação da emenda de Dante aconteceu num momento divisor de era no Brasil. De um lado estavam os políticos compromissados com a população. De outro, aqueles que tentavam sustentar um governo impopular calcado num regime ditatorial. O cenário no ontem, quando das Diretas-Já, não levava o povo a se indispor com a classe política. Ao contrário, buscava nela a ponta da meada para sair da opressão, mesmo sabendo que em sua composição havia muitos defensores do regime ditatorial. O Diário não se calou naquele período e defendeu com altivez o fim da ditadura, porque acreditava como continua crendo, que a democracia é o melhor regime. Agora, mantendo sua linha editorial inalterada conclama o povo a acreditar que o único meio de sair do lodaçal que atinge os poderes em todas as suas esferas é pela via política. Por maior que seja a indignação popular. Por mais que pipoquem escândalos envolvendo políticos, por mais que a classe política seja atingida, somente por ela é possível reordenar o Brasil e Mato Grosso. Haveremos de virar a página da corrupção. Teremos forças para exorcizarmos a banda pobre da política. Nos meios políticos existem mulheres e homens compromissados com o País e Mato Grosso. Confiemos neles, ainda que sofram tropeços tal qual Dante, quando sua emenda foi rejeitada. Que seu exemplo inspire nosso povo nesse momento delicado onde a descrença começa a botar o brasileiro contra o Brasil. A emenda de Dante foi a espinha dorsal da redemocratização nacional

Edição EDIÇÃO 16968




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