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Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

Editoriais
Sábado, 27 de Abril de 2013, 12h:45

O escoamento e a supersafra

Os riscos a que os agricultores se submetem todo ano estão sendo recompensados na atual safra com a fartura de uma colheita recorde de soja. Infelizmente, repetem-se os transtornos que transformam o escoamento dos grãos numa gincana. A economia agrícola mato-grossense perde recursos e tempo ao enfrentar estradas precárias e fretes caros, que lhes retiram parte dos ganhos. Não é uma situação nova, como já mostrou várias reportagens deste jornal com os gargalos que impedem o fluxo normal da safra até os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). É inconcebível que um Estado exportador – o maior exportador do agronegócio -, que inspirou outras unidades da federação e outras nações a investir na agricultura intensiva, ainda testemunhe a convivência da tecnologia de ponta das lavouras com os atrasos da infraestrutura. As deficiências que o setor público não enfrenta têm origem no modelo de transporte, que não é uma particularidade mato-grossense. A dependência das rodovias é um problema nacional. Ao invés de investir em hidrovias e ferrovias, o país optou pela dependência das estradas. Em Mato Grosso, a situação é agravada pelo fato de que aqui as rodovias estão em situação mais precária do que a da média dos outros Estados, pela incapacidade do governo de investir em pavimentação. É comum no nosso noticiário a precária situação de nossas estradas, nos seis meses de chuvas em nosso estado é recorrente observarmos locais que ficam isolados, quilômetros de atoleiros e toda a sorte do mundo que a se submeter os produtores e os caminhoneiros. No mundo, o gasto aceitável em manutenção e pneus dos caminhões é de 3% do valor do transporte. Em Mato Grosso, este índice atinge absurdos 15%. A situação se agrava, ao final da maratona, com o engarrafamento nos terminais portuários do Sul e Sudeste, antes da chegada dos grãos aos navios, por conta da concorrência com produtos de outros Estados. Hoje, o gargalo logístico é o grande entrave para os nossos produtores. Deixamos de vender 20% a mais de soja devido a estes problemas. Nos próximos anos, a atenção dos nossos produtores não está para dentro da porteira – com o foco nos investimentos em pesquisa e tecnologia no campo -, infelizmente, a atenção da classe produtora esta em ampliar a capacidade de armazenamento e buscar alternativas para escoamento da produção. Produtores que enfrentam altos custos de produção, os humores do clima e as deficiências de armazenamento merecem melhor tratamento do setor público no que se refere à infraestrutura, para que os benefícios de uma safra sejam compartilhados por toda a economia. A economia agrícola mato-grossense perde recursos e tempo ao enfrentar estradas precárias e fretes caros, que lhes retiram parte dos ganhos.

Edição EDIÇÃO 16962




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