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Editoriais
Sábado, 14 de Junho de 2014, 15h:19

O Chile mais perto

Milhares de chilenos chegaram a Cuiabá na semana passada, trazidos pela paixão que devotam à sua seleção de futebol. Essa presença foi bem visível nos últimos dias em todos os cantos da cidade, e mais ainda nas arquibancadas da Arena Pantanal, onde na noite da sexta-feira, 13, o Chile derrotou a Austrália por 3 a 1 na primeira rodada do Grupo B da Copa do Mundo. No Brasil as atenções estão voltadas para a Copa. Em Cuiabá, palco de quatro jogos do Mundial esse cenário se repete, mas com intensidade bem acima do que se vê em milhares de municípios, pois a cidade, pela primeira vez, é uma das sedes desse que é o maior evento do futebol. A euforia dos cuiabanos os manteve com os olhos fixos nos chilenos somente pelo aspecto esportivo; mesmo assim alguns setores da economia os enxergaram e os tiveram na condição de clientes e consumidores de lojas, boutiques, bares, restaurantes, boates, postos de combustíveis, hotéis, bancas de artesanato, oficinas mecânicas e etc. Centenas de veículos do Chile chegaram a Cuiabá depois de cruzarem rotas maiores que a principal ligação de Mato Grosso com aquele país andino. Isso, porque o Corredor Bioceânico Atlântico-Pacífico, com 3.755 quilômetros entre São Paulo e portos chilenos, sofre estrangulamento na Bolívia, situação essa que praticamente o aniquila. Bolívia e Chile não mantêm relações diplomáticas em nível de embaixadas desde a rendição boliviana em 1883, ano em que terminou a Guerra do Pacífico, iniciada em 1879 e que botou numa trincheira tropas bolivianas e peruanas, e do outro lado soldados chilenos. O conflito teve origem na disputa sobre a titularidade em parte do deserto do Atacama. Com a vitória dos militares de Santiago, La Paz perdeu a região de Antofagasta e ficou sem acesso ao mar. Os bolivianos perderam territórios para o Chile, Paraguai (na Guerra do Chaco) e o Brasil – que anexou o Acre. Cravada no centro do continente e sem porto marítimo a Bolívia mantém uma política de reserva nacionalista de mercado para motoristas de transporte, que não permite o trânsito de veículos pesados dirigidos por estrangeiros. Para evitar embaraços diplomáticos o governo sustenta que essa situação é imposta pela Central Obrera Boliviana (COB) – uma espécie de CUT deles. A política de transporte boliviano é verdadeiro entrave ao escoamento de commodities agrícolas mato-grossenses para os mercados asiático e andino pela rota mais curta e que deixa Cáceres no ponto equidistante entre os dois oceanos. Que a presença dos chilenos em Mato Grosso desperte as autoridades locais, de Brasília, do Chile e da Bolívia para que o Corredor Bioceânico passe a operar sem restrições em nome de uma nova ordem econômica continental. Que a presidente chilena Michelle Bachelet – que assistiu ao jogo em Cuiabá - encontre uma boa linha de argumentação no exemplo que acaba de ser dado pelo futebol e que a apresente ao seu colega boliviano Evo Morales. Que o Corredor Bioceânico passe a operar sem restrições em nome de uma nova ordem econômica

Edição EDIÇÃO 16961




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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