Editoriais
Sábado, 13 de Dezembro de 2014, 14h:43
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O bem contra o mal
História não se reescreve. Sabemos que historicamente sempre que o mal prevaleceu sobre o bem, houve confronto, seja no campo bélico, nas revoltas populares, na área diplomática, não importa onde, algum tipo de reação aconteceu em contraponto ao cenário reinante. O Brasil com sua democracia amadurecida, apesar de nova, atravessa um delicado momento. A corrupção vai muito além de tudo que se possa imaginar, está impregnada na estrutura dos poderes, nos meios sindicais e cooperativos, e até mesmo na esfera religiosa. Um país assim, por mais que tente se segurar na democracia, não tem futuro e vegeta institucionalmente na vergonha. A corrupção que solapa a dignidade da esfera pública não se limita a figura do governo central. Ela está presente nos entes federativos, tanto nos estados quanto nos municípios. A corrupção em todas as suas formas atravessa governos, legislaturas e diretorias sindicais. A cada dia ela ganha mais força e se alastra na união de corruptos e corruptores, quase sempre com a intermediação de lobista. Sua prática nem sempre está associada à figura do governante e do ordenador de despesas, tamanha a cultura do ilícito e a complexidade dos mecanismos dos poderes em todas as suas esferas. Ferramentas de combate à corrupção existem, mas são ineficazes ou se tornam tanto, pela convergência das leis em defesa do réu, pelo consagrado benefício da dúvida, pela estrutura viciada do poder em sua amplitude e que abre espaço à proteção mútua direta e indiretamente. O que o cidadão pode fazer diante do avanço do mal personalizado pela corrupção - sobre o bem? O povo tem que exercer sua sabedoria, lançar mão de sua fibra, buscar no íntimo da individualidade de cada um de seus componentes a coragem e a determinação que o Brasil espera de seus filhos, como se a imaginária voz da Pátria ecoasse desafiadora imitando o herói Caxias - Sigam-me os que forem brasileiros! conclamando todos a uma guerra de resistência pacífica à corrupção para extirpá-la de vez e afastar para sempre da vida pública os que a praticam. Cada estado tem sua realidade e com os municípios não é diferente. Para mudar não basta setorizar denúncias; é preciso coragem para denunciar de modo universal todos os corruptos que estão na mesma canoa. Mato Grosso como um todo não teria condições de apontar todos os corruptos, mas se cada segmento laboral ou social for suficientemente independente para mostrar sua roupa suja que precisa de lavanderia chegaremos ao lugar onde a Terra de Rondon somente ainda não se encontra por falta do clamor popular que é sufocado por motivos que precisam ser esclarecidos em nome da verdade e da recíproca dos direitos e deveres. O Brasil precisa. Mato Grosso, também, que a parte honrada da vida pública fique ao lado do povo e o lidere no grande enfrentamento pelo bem contra o mal, não importa que rótulo esse ostente ou couraça que o proteja. É preciso que o povo aja antes que o caos se estabeleça. Que a parte honrada da vida pública fique ao lado do povo e o lidere na grande cruzada pelo bem