O crime é versátil e sabe bem ocupar espaço. Se a ação policial aperta o cerco aos criminosos em determinada área ou tal prática cai em descrédito e não mais assusta aqueles que foram escolhidos para vítimas, a bandidagem parte para outro tipo de ação. Isso acontece nacionalmente, como se fosse um grande e sincronizado teatro. Durante algum tempo e até recentemente um dos crimes praticados nacionalmente era o do falso sequestro. Essa prática consistia num telefonema ao pai ou mãe de criança ou adolescente. O bandido anunciava que estava com essa pessoa sob seu poder e fazia duras ameaças, mas prometia libertar a vítima se fosse atendido com entrega de certa quantia em dinheiro ou até mesmo créditos de telefonia; um dos alvos dessa ação foi o vice-presidente da República, José Alencar, quando de uma de suas viagens ao Rio de Janeiro. Atualmente, em Cuiabá e Várzea Grande está em curso um tipo de crime real, que não tem nada do fantasioso telefonema sobre suposto sequestro. Ele consiste no furto na maioria dos casos ou roubo de motos, automóveis e utilitários. De posse desses veículos integrantes das quadrilhas que atuam nessa área ligam para o proprietário extorquindo dinheiro para a devolução do mesmo. Os bandidos ligam para o proprietário do veículo pedindo pagamento de determinada quantia, com horário e local de entrega devidamente combinados, para que devolva o bem. Se a vítima reluta, ouve ameaça que sua moto ou carro será destruído ou incinerado. Esse tipo de crime acontece na área metropolitana de Cuiabá onde o cerco fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) e a vigilância por parte da Delegacia Fazendária e de outros órgãos policiais praticamente impedem a prática do desmanche criminoso em oficina e em ferro velho. Sem mercado para desovar o produto de sua ação, o bandido opta pelo furto seguido pela extorsão. Ao aceitar a imposição do bandido o proprietário consciente ou inconscientemente contribui para a continuidade desse tipo de prática criminosa. O recomendável para a vítima desse tipo de crime é comunicá-lo imediatamente à polícia, para que a autoridade policial autue o marginal em flagrante retirando-o de circulação. As ameaças feitas por telefone assustam as vítimas e o medo acaba facilitando a ação criminosa e ao mesmo tempo cria blindagem para as quadrilhas especializadas nesse tipo de ação. Enquanto não houver perfeita sintonia entre vítimas e a polícia esse tipo de crime continuará em escala assustadora e impune em Cuiabá e Várzea Grande. Por mais eficiente que seja o policiamento, por mais que os serviços de Inteligência policial levantem suspeitas, não será possível desarticular as quadrilhas que ora extorquem proprietários de veículos. A ousadia dos bandidos precisa esbarrar na confiança do cidadão na polícia. Quando isso acontecer, o roubo e furto de motos e carros despencará, porque não há facilidade para desova nos desmanches e deixará de existir vítimas dispostas a pagar por um bem que é seu. Enquanto não houver perfeita sintonia entre vítimas e a polícia esse tipo de crime continuará