NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

Editoriais
Segunda-feira, 21 de Junho de 2010, 21h:47

Novo tipo de crime

O crime é versátil e sabe bem ocupar espaço. Se a ação policial aperta o cerco aos criminosos em determinada área ou tal prática cai em descrédito e não mais assusta aqueles que foram escolhidos para vítimas, a bandidagem parte para outro tipo de ação. Isso acontece nacionalmente, como se fosse um grande e sincronizado teatro. Durante algum tempo e até recentemente um dos crimes praticados nacionalmente era o do falso sequestro. Essa prática consistia num telefonema ao pai ou mãe de criança ou adolescente. O bandido anunciava que estava com essa pessoa sob seu poder e fazia duras ameaças, mas prometia libertar a ‘vítima’ se fosse atendido com entrega de certa quantia em dinheiro ou até mesmo créditos de telefonia; um dos alvos dessa ação foi o vice-presidente da República, José Alencar, quando de uma de suas viagens ao Rio de Janeiro. Atualmente, em Cuiabá e Várzea Grande está em curso um tipo de crime real, que não tem nada do fantasioso telefonema sobre suposto sequestro. Ele consiste no furto – na maioria dos casos – ou roubo de motos, automóveis e utilitários. De posse desses veículos integrantes das quadrilhas que atuam nessa área ligam para o proprietário extorquindo dinheiro para a devolução do mesmo. Os bandidos ligam para o proprietário do veículo pedindo pagamento de determinada quantia, com horário e local de entrega devidamente combinados, para que devolva o bem. Se a vítima reluta, ouve ameaça que sua moto ou carro será destruído ou incinerado. Esse tipo de crime acontece na área metropolitana de Cuiabá onde o cerco fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) e a vigilância por parte da Delegacia Fazendária e de outros órgãos policiais praticamente impedem a prática do desmanche criminoso em oficina e em ferro velho. Sem mercado para desovar o produto de sua ação, o bandido opta pelo furto seguido pela extorsão. Ao aceitar a imposição do bandido o proprietário consciente ou inconscientemente contribui para a continuidade desse tipo de prática criminosa. O recomendável para a vítima desse tipo de crime é comunicá-lo imediatamente à polícia, para que a autoridade policial autue o marginal em flagrante retirando-o de circulação. As ameaças feitas por telefone assustam as vítimas e o medo acaba facilitando a ação criminosa e ao mesmo tempo cria blindagem para as quadrilhas especializadas nesse tipo de ação. Enquanto não houver perfeita sintonia entre vítimas e a polícia esse tipo de crime continuará em escala assustadora e impune em Cuiabá e Várzea Grande. Por mais eficiente que seja o policiamento, por mais que os serviços de Inteligência policial levantem suspeitas, não será possível desarticular as quadrilhas que ora extorquem proprietários de veículos. A ousadia dos bandidos precisa esbarrar na confiança do cidadão na polícia. Quando isso acontecer, o roubo e furto de motos e carros despencará, porque não há facilidade para desova nos desmanches e deixará de existir vítimas dispostas a pagar por um bem que é seu. Enquanto não houver perfeita sintonia entre vítimas e a polícia esse tipo de crime continuará

Edição EDIÇÃO 16961




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL