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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

Editoriais
Sábado, 15 de Março de 2014, 13h:41

Neri Geller

Neri Geller assume o Ministério da Agricultura nesta segunda-feira. Geller integra o rol dos migrantes que trocaram seus lugares de origem pela aventura de se apostar na agricultura em Mato Grosso. Natural de Selbach (RS) e morador em Lucas do Rio Verde, Geller além de produtor rural é empresário, suplente de deputado federal pelo PP (45.196 votos), milita no sindicalismo rural e, mesmo sem conseguir mandatos nas eleições que disputou à Câmara, compartilha o poder. Geller foi um dos principais líderes do movimento “Grito do Ipiranga”, desencadeado em Ipiranga do Norte, no ano de 2006, e que se espalhou pelos polos do agronegócio nos estados produtores, em protesto contra a falta de política agrícola. Com a cassação do mandato do deputado federal Pedro Henry (PP), que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal na ação que julgou os réus do Mensalão, Geller iniciou uma batalha judicial pela cadeira vaga, contra o também suplente de deputado federal Roberto Dorner (50.480 votos), que era de seu partido e migrou para o PSD. Mato Grosso é campeão nacional na produção de soja, algodão e milho safrinha e tem o maior rebanho bovino brasileiro. Além disso, se destaca na produção de óleo de soja, etanol, biodiesel, açúcar e lácteos. Mesmo com essa expressão e seus efeitos sociais, a classe política mato-grossense não controlava o Ministério da Agricultura, onde mineiros, paulistas, paranaenses e gaúchos se revezam no comando. Com o trunfo da liderança nacional na produção e com o reforço da alta produtividade agrícola e da agroindústria, a classe política mato-grossense exigiu a nomeação de Geller para a secretaria de política Agrícola do Ministério da Agricultura. A presidente Dilma atendeu ao pedido e, dessa forma, além de ocupar espaço na cúpula do governo de Mato Grosso, botou panos quentes na demanda entre Geller e Dorner. Quem produz tanto no âmbito do agronegócio quanto Mato Grosso não pode ficar fora da direção do Ministério da Agricultura num país federativo. Esta foi a mensagem da classe política a Dilma. A presidente respondeu positivamente nomeando Geller, que tinha aval suprapartidário em sua terra adotiva. O período de Geller à frente da Agricultura será curto e coincidirá com a realização da Copa do Mundo e da eleição para presidente, governadores, Senado, Câmara e parlamentos estaduais. Diante dessa situação não se pode esperar nenhum, entre aspas, milagre ou passe de mágica do ministro. Mato Grosso entende a complexidade do momento, mas não quer se decepcionar com Geller e espera que ele tenha coragem de cobrar soluções de logística de transporte terrestre e fluvial aos seus pares e à presidente. Junto à esfera política, a nomeação de Geller resolve um impasse pela ocupação da vaga aberta com a cassação de Henry e também descongestiona a disputa à Câmara. Essas situações interessam aos políticos. Ao produtor, o que interessa é um ministro atuante. Não se pode esperar nenhum, entre aspas, milagre ou passe de mágica do ministro

Edição EDIÇÃO 16961




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