Editoriais
Quinta-feira, 28 de Junho de 2012, 21h:02
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Negócios na China
O governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, desembarca hoje em Cuiabá, após passar a última semana em viagem pela China, trazendo na bagagem a assinatura de uma carta de intenções assinada com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB - China Development Bank) para a construção de uma ferrovia que ligará Cuiabá até a cidade paraense de Santarém. A concretização desta obra será um grande salto na infraestrutura logística do Estado e faz parte de um plano que visa preparar Mato Grosso para encerrar esta década com a produção anual de até 40 milhões de toneladas do seu principal produto agrícola, a soja. Para atingir este objetivo e garantir ao Estado um importante papel de celeiro no mundo, é importante a elaboração desta ferrovia, juntamente com a criação da Leste-Oeste, que ligará a região de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Mutum até a ferrovia Norte-Sul, em Goiás. Também é imperativo que continue o avanço dos trilhos da ALL, que ainda este ano devem chegar até Rondonópolis. A ligação de quase 2 mil quilômetros de Cuiabá à Santarém foi aberta na década de 1970 com a construção da BR-163 - que somente agora está próxima da conclusão do asfalto. Com a ferrovia rumo a Santarém, no Norte do país, os produtores de Mato Grosso acreditam que poderão ver cair pela metade o custo do transporte da safra, que atualmente consome até US$ 120, por tonelada exportada através dos portos no Sul e Sudeste do país, Paranaguá (PR) e Santos (SP), respectivamente. O acordo assinado pelo governo de Mato Grosso prevê empréstimos de US$ 10 bilhões do banco chinês. Em contrapartida, produtos e serviços terão que ser importados da China. O primeiro passo, para a concretização do acordo, já foi dado e duas empresas chinesas, a Crec - China Railway Engineering Corporation e a holding ATI, estão dando partida no estudo de viabilidade do projeto. A expectativa dos empresários chineses e dos governantes de Mato Grosso é de que a obra fique pronta em cinco anos. A importância dada pelos chineses ao projeto é tanta, que trata-se do maior volume de recursos emprestado pelo CDB ao Brasil. Atualmente, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, com um comércio anual entre os dois países, próximo de US$ 80 bilhões. Hoje, a maior parte das exportações de Mato Grosso já segue rumo à China. E a crescente necessidade dos chineses por produtos primários, principalmente para alimentar a sua enorme população, faz de Mato Grosso o parceiro ideal para o milenar país do Oriente. Porém, é importante que fiquemos atentos à ampliação dos negócios com os chineses. Não podemos ser apenas exportadores das matérias-primas necessárias para a garantia do crescimento chinês. É importante que os avanços sejam compartilhados pelos dois lados e para tanto é importante que recursos chineses sejam empregados para garantir o progresso de Mato Grosso. Mato Grosso é o parceiro ideal para o milenar país do Oriente