Editoriais
Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017, 18h:23
A
A
Necessidade de diálogo
Mato Grosso atravessa um delicado e complicado momento institucional, não por ameaça às suas sólidas instituições, mas pelo envolvimento e suspeita de participação de alguns membros das mesmas em escândalos do nefasto colarinho branco. A complexidade da situação exige o máximo de prudência, o maior esforço, a melhor compreensão e a mais ampla capacidade de diálogo entre as autoridades. Mantida a cordialidade entre os poderes e seus órgãos complementares, sem prejuízo da autonomia e prerrogativa de cada um, o cinzento quadro de agora poderá rapidamente ceder lugar à luz do entendimento, que Mato Grosso tanto precisa e espera. Todo e qualquer atrito entre as autoridades de ponta tem reflexo imediato sobre a vida das pessoas e o curso da trajetória mato-grossense em busca de um amanhã melhor, mais justo socialmente, ecologicamente correto e livre dos sobressaltos que a arraigada corrupção teima em gerar. O momento atual é caracterizado pelo combate aos esquemas de corrupção e pelo chamado corte na carne, que dói e assusta, mas que precisa ser feito. Não se pode pensar na longa caminhada reservada a Mato Grosso quando se vacila nos primeiros passos. É preciso que se reproduza a coragem e o amor pátrio de Tiradentes, o Protomártir da Independência, diante de seus algozes, quando disse que se mil vidas tivesse as daria pela nossa liberdade. Que os chefes e membros dos poderes reflitam. Que cumpram seu papel, ainda que sangrando por sentimentos inerentes ao ser humano, mas que não deixem que os mesmos criem embaraços ou barreiras ao terremoto moralista, legalista e oportuno que lança frestas de luz sobre a grande treva que se abateu sobre a ensolarada terra de grandes governadores, magistrados, parlamentares e conselheiros do Tribunal de Contas a exemplo de Couto Magalhães, José de Mesquita, Roberto Campos e Aecim Tocantins. Todo cidadão consciente quer Mato Grosso passado a limpo. De igual modo, defende suas instituições e que todo e qualquer indício de crime na amplitude do colarinho branco seja investigado a fundo. Isso, porque a sabedoria popular sabe que somente com medidas amargas será possível separar o joio do trigo. Que nenhuma instituição se deixe abalar. Que todas funcionem no limite de suas prerrogativas. Por maior que seja a quantidade de autoridades atingidas, nenhum Poder será abalado, pois são perenes, ao passo que seus membros são temporários. Mato Grosso merece ser brindado com a depuração em curso. Cuiabá, a cidade onde aconteceu o maior volume de casos em investigação, está às vésperas do tricentenário. A cidade fundada por Moreira Cabral, que a cada dia se renova em generosidade com seus filhos e os que optaram por viver nela, espera por um presente diferente: novo conceito de vida pública, sem os escândalos que presenciou até então, e que esse conceito nasça da convergência de suas principais autoridades. Por maior que seja a quantidade de autoridades atingidas, nenhum Poder será abalado