Editoriais
Sábado, 04 de Setembro de 2010, 12h:59
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Não ao mar de lama!
A campanha nacional pela Presidência da República, de uns dias para cá descambou, infelizmente, para a apelação e a baixaria. O jogo sujo começou por onde menos se esperava: por parte do programa eleitoral do tucano José Serra, logo ele! Nesse sentido, para melhor ilustrar a surpresa, convém lembrar aos leitores que Serra, até então vinha proclamando aos quatro cantos que aproveitaria o horário gratuito nas TVs e rádios, concedido pela Justiça Eleitoral, para disseminar propostas e debater as melhores alternativas governamentais para o povo brasileiro. Mas faz o contrário. Mal colocado nas pesquisas de intenção de votos, nem por isso José Serra precisa perder a cabeça e partir para as agressões, calúnias, injúrias e infâmias contra a sua principal oponente, a ex-ministra Dilma Rousseff, do PT, que vem liderando as pesquisas e já desponta como virtual presidente da República, eleita em primeiro turno. Essa, pelo menos, é a tendência eleitoral que se verifica no país. Se pesquisa é o retrato do momento, conforme afirmam os especialistas, a vitória de Dilma estaria assegurada folgadamente se as eleições fossem hoje. Amanhã pode ser outro o cenário, embora saiba-se que reverter esse quadro é uma tarefa extremamente difícil para José Serra. E não será nunca, pode-se afirmar sem medo de errar, com ataques grosseiros, como os que agora faz na sua propaganda eleitoral, que o PSDB fará estancar a tendência de crescimento de Dilma e a queda de Serra. Ao apelar para o baixo nível, para a tentativa de desconstruir e desmerecer a história de vida da adversária, Serra e o PSDB podem é aprofundar o imenso fosso de votos que os separam da presidenciável petista. E quem mais perde nessas ocasiões, em que a violência substitui a racionalidade e a ética, enfim, o discurso político correto, são os eleitores. Estes deixam de ter a oportunidade para saber o que, na realidade, diferencia os tucanos do PT em termos de propostas para um Brasil melhor. Feitas essas considerações, de nossa parte resta alertar e torcer para que a campanha eleitoral no âmbito estadual não descambe também para o rés do chão, conforme ocorre no plano nacional. Até porque, tirando uma ou outra estocada mais forte entre os candidatos ao Governo do Estado - de resto, até inevitáveis em se tratando de disputa pelo poder -, via de regra o saldo é positivo, ao menos pelo que se vê e ouve no horário eleitoral. A campanha em Mato Grosso, é verdade, pode até não ser inovadora em termos de propostas, mas, em compensação, vem respeitando os telespectadores e ouvintes por não despejar nenhum mar de lama através dos meios de comunicação. Menos mal. Resta alertar para que a campanha eleitoral no âmbito estadual não descambe também para o rés do chão