No mundo livre a evolução da humanidade derrubou as barreiras que separavam homens de mulheres e que davam prevalência aos primeiros em detrimento delas. Graças a isso, as oportunidades de trabalho, a qualificação profissional, o exercício do poder em todas as suas esferas e os espaços sociais são ocupados por ambos os sexos. Mostra dessa equiparação é bem sintetizada pela eleição da presidenta Dilma Rousseff. Exemplos semelhantes atuais e de passado recente podem ser encontrados na Argentina, Chile e em outros países onde a presidência ou o cargo de primeiro-ministro é exercido por mulher. No Brasil a legislação assegura igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres. O convívio social é harmônico, mas o sexo feminino ainda é vítima de agressões motivadas em parte pelo arraigado costume do machismo dos idos imperiais. Porém, quando a mulher sofre qualquer tipo de agressão a lei a ampara e a mesma conta com uma ampla rede social a serviço de sua proteção. Em Mato Grosso a mulher está presente em todos os setores e segmentos sociais, mas no campo político sua participação ainda é muito tímida, bem acanhada. Não há presença feminina entre os congressistas mato-grossense; na Assembleia Legislativa composta por 24 deputados, 22 cadeiras são ocupadas por homens enquanto a bancada feminina fica restrita a Teté Bezerra (PMDB) e licenciada para exercer cargo no secretariado do governador Silval Barbosa, e Luciane Bezerra (PSB). O que se esconde por trás da fraca participação política da mulher mato-grossense? O Estado tem 3.033.991 habitantes sendo 1.548.894 homens e 1.488.097 mulheres, ou seja, há equilíbrio entre os sexos, com o masculino representando 51% e o feminino 49% dos habitantes. Mesmo com esse equilíbrio em Mato Grosso a prevalência eleitoral é dos homens. Em Cuiabá esse fenômeno se repete e a Capital em sua longa trajetória institucional nunca elegeu prefeita ficando restrita a duas vices-prefeitas: Bia Spinelli (do prefeito Frederico Campos - 1989/92) e Jacy Proença (do prefeito Wilson Santos - 2005/08). Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher (8 de março) a população de Mato Grosso tem que refletir sobre o papel feminino na política, pois todas as conquistas brotam da ocupação de espaços políticos em suas diferentes esferas. A sensibilidade feminina é imprescindível no universo político e, de modo especial, em Mato Grosso, Estado atípico, que recebeu grande fluxo migratório de todas as regiões nas últimas décadas e cuja população está em processo de miscigenação exigindo entendimento social mais amplo do governo, para que possa moldar o perfil do mato-grossense que surgirá nos próximos anos. O Diário defende maior participação feminina na vida institucional mato-grossense em sua plenitude, quer seja exercendo mandatos eletivos, quer seja ocupando cargos comissionados nas diversas esferas de governo e entende que as mulheres precisam se unir em busca do espaço que de fato lhes pertence no contexto institucional. O que se esconde por trás da fraca participação política da mulher mato-grossense?