Editoriais
Quarta-feira, 07 de Março de 2012, 21h:39
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MT Saúde
MT Saúde é o nome do plano de assistência médica que atende 50 mil usuários representados pelos servidores estaduais mato-grossenses e seus dependentes. Esta instituição opera em vermelho e mantém crônica inadimplência com médicos, outros profissionais de saúde, hospitais, clínicas e laboratórios que lhe prestam serviço. Mesmo se tratando de instituição mantida com desconto autorizado na folha do servidor e pelos cofres do governo; mesmo em se tratando de órgão sob controle externo da Assembleia Legislativa e Tribunal de Contas do Estado; mesmo em se tratando de parte integrante da estrutura administrativa mato-grossense, o MT Saúde se mantém hermeticamente fechado, sem se deixar pautar pelo princípio da transparência que deve nortear a gestão pública. Ontem, após ser ouvido pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, onde compareceu em obediência a requerimento parlamentar, o presidente do MT Saúde, Gelson Esio Smorcinski conversou com jornalistas e revelou a preocupante e injustificada situação em que se encontra o órgão que dirige. Smorcinski revelou que há dois anos o MT Saúde opera com déficit mensal de R$ 3 milhões. Acrescentou que regularmente o governo suplementa seu caixa com injeções financeiras, mas que ainda assim o plano deve cerca de R$ 6,5 milhões a prestadores de serviço. Apesar do prolongado período operando no vermelho, o MT Saúde não tem projeto para viabilizá-lo. Smorcinski sustenta que sua equipe técnica trabalha juntamente com servidores da Secretaria de Administração (SAD) na elaboração de um mecanismo que lhe permita equilibrar receita e despesa, mas que precisa de certo tempo para alcançar esta meta. A vergonhosa situação do MT Saúde levou prestadores de serviços a suspender atendimento. Com isso, o servidor que paga pelo plano de saúde fica sem cobertura ou a recebe parcialmente e com atraso. A declarações de Smorcinski foram dadas com naturalidade, como se o MT Saúde funcionasse satisfatoriamente e não sangrasse os cofres já combalidos do governo. Parte do que o dirigente disse aos jornalistas anteriormente foi dito por ele aos deputados que o ouviram. Mesmo sabedora do caos no plano de saúde dos servidores, a Assembleia foi complacente e em momento algum demonstrou interesse em apurar o que se passa com a gestão daquele órgão. A única manifestação parlamentar partiu do presidente da Comissão de Saúde, Guilherme Maluf (PSDB); Maluf adiantou que acompanhará a reestruturação do MT Saúde (que Smorscinski chama de mecanismo) e a elaboração de edital para contratar, se for o caso, novas empresas para gerir o plano, que hoje é gerido pela Open Saúde e a Saúde Samaritano Administradora de Benefícios. Em respeito aos servidores ora penalizados com o sucateamento do MT Saúde; e em respeito aos cofres públicos que sempre jorram dinheiro para cobrir problemas em órgãos descompassados, este plano de saúde tem que ser passado a limpo com urgência, transparência e rigor. Este plano de saúde tem que ser passado a limpo com urgência, Transparência e rigor