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Quinta-feira, 04 de Fevereiro de 2010, 09h:27

Movimentado

Em Mato Grosso e notadamente em Cuiabá e Várzea Grande, dengue, acima de tudo, é doença comportamental. Lamentavelmente essa realidade é a principal responsável pela epidemia sem fim desse problema que tantos óbitos e tanta dor causam. Na terça-feira, o secretário de Saúde de Mato Grosso, Augustinho Moro,sobrevoou Cuiabá e Várzea Grande num helicóptero da Polícia Militar. A imagem vista por Moro o surpreendeu pela quantidade dispersa de locais que são potenciais focos de criadouros do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença. O que Moro viu é rotineiro aos policiais da tripulação da aeronave que o conduziu e também é o resultado prático da absoluta ausência de cidadania por parcela dos moradores das duas maiores cidades mato-grossenses. A dengue continuará avançando enquanto o comportamento social vigente for o mesmo de agora e de ontem. As autoridades da Saúde Pública não conseguirão reverter o quadro dramático enfrentado por Cuiabá e Várzea Grande enquanto não houver efetiva participação social. A legislação vigente não confere poderes especiais ao Estado para forçar a participação social no combate ao mosquito e consequentemente na prevenção da doença. Diante dessa realidade tudo aponta que o melhor caminho é a ampliação da participação da população que colabora na luta contra a dengue. A ampliação da participação precisa ganhar espaço na agenda da Saúde Pública, pois cabe a ela motivar moradores para que façam trabalho regionalizado de conscientização em seus bairros e condomínios. O argumento de um vizinho pode se transformar em forte apelo capaz de demover a renitência de alguém que teima em manter hábitos que coloquem em risco a população. A relação entre vizinhos pode se tornar peça decisiva na luta contra a dengue. O diálogo franco, os apelos de proteção familiar e coletiva e – principalmente – a citação de exemplos de pessoas vítimas da doença no âmbito da comunidade certamente serão compreendidos. Caso a população assuma plenamente seu papel a dolorosa página da dengue estará a um passo de ser definitivamente virada, desde que o Estado – em todas as suas esferas – também cumpra seu papel. Num rótulo bem comum aos dias atuais, a união do cidadão com as autoridades de saúde na luta contra a dengue seria uma espécie de Parceria Público-Privada da Saúde (PPP da Saúde), sem a qual a situação endêmica e de alto risco coletivo continuará vigente. Que o voo de Moro seja o marco de nova era. Que a dura imagem que o assustou leve o governo a desencadear imediatamente uma ampla campanha de mobilização dos segmentos voluntários sociais que já atuam no enfrentamento do problema, transformando-os em multiplicadores setorizados da política de prevenção, que infelizmente não apresenta outro resultado senão o quadro pavoroso de infectados e vítimas fatais que aumenta a cada dia em face da indiferença de tantos em Cuiabá, Várzea Grande e também no interior. “A relação entre vizinhos pode se tornar peça decisiva na luta contra a dengue”

Edição EDIÇÃO 16962




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