Editoriais
Quarta-feira, 08 de Fevereiro de 2012, 19h:48
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Momento de dialogar
Não é segredo para ninguém que a segurança em Mato Grosso está ao fio da navalha há muitos anos. Os limitados efetivos policiais não conseguem reduzir a índices ditos aceitáveis a criminalidade na vastidão territorial dos 141 municípios. Assim, a violência avança sobre as cidades, as vilas, o campo, as rodovias e pode cruzar os limites das reservas indígenas sob tutela da Funai, muitas delas ricas em ouro e diamante. Ontem, numa ação ousada, uma quadrilha que assalta bancos invadiu a agência da cooperativa Sicredi, em Nova Lacerda, na faixa de fronteira com a Bolívia, e em sua fuga fez reféns. Mesmo lançando mão de todos seus efetivos no cumprimento das escalas de serviço a Polícia Militar e a Polícia Judiciária Civil não conseguem grandes avanços sobre o crime e permanecem na cansativa batalha cotidiana de se tentar enxugar o chão com a torneira aberta. Se lançando mão do máximo de sua capacidade operacional as forças policiais não revertem a criminalidade, o que aconteceria se um forte e demorado movimento grevista eclodisse em Mato Grosso inspirado no aquartelamento que deixa a população baiana impotente diante da violência que transforma a Bahia num mar de sangue e de dor. Alerta sobre a possibilidade de greve de policiais civis e militares acaba de ser dado pelo deputado federal Juliano Rabelo (PSB), que é cabo aposentado em função do exercício parlamentar - da Polícia Militar. O movimento pode acontecer nem tanto como forma de pressão por melhores salários, mas como efeito dominó da situação baiana. Antes que ocorra greve de policiais, antes que o radicalismo bote lenha na fogueira dos opostos, antes que alguém tente tirar proveito eleitoral 2012 é ano de eleições municipais de eventual divergência das entidades representativas da categoria e o governo, é preciso que se abra amplo e inesgotável canal de negociação preventiva, porque Mato Grosso seria duramente penalizado em caso de greve na esfera da Segurança Pública. Greve todos sabem como começa, mas ninguém sabe como pode terminar. A Segurança Pública em Mato Grosso ficaria comprometida com uma ampla greve policial. Num cenário assim, populações das médias e pequenas cidades se tornariam reféns permanentes das quadrilhas que se utilizam de armas automáticas e de grosso calibre para assaltos a bancos. Fazendas seriam alvos permanentes da bandidagem. Cuiabá entraria em colapso, porque até mesmo o caminhar por suas ruas seria inseguro. A Bahia está enlutada com mais de 130 mortes violentas por falta de policiamento. Além das perdas irreparáveis de vidas humanas, a Boa Terra está a um passo de enorme prejuízo financeiro pela drástica redução prevista de turistas no período carnavalesco, muito embora as Forças Armadas, a Polícia Federal e a Força Nacional estejam nas ruas tentando restabelecer a situação reinante antes do início da greve da Polícia Militar. A sabedoria nos ensina que prevenir é melhor que remediar. Portanto, o momento recomenda o diálogo! A Segurança Pública em Mato Grosso ficaria comprometida com uma ampla greve policial