Editoriais
Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012, 21h:28
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Marketing das aberrações
As campanhas eleitorais, que se aprimoram a cada pleito, com a evolução de normas e costumes proporcionados pelo exercício da democracia, ainda convivem com distorções que em nada contribuem para a qualificação da política. O marketing das aberrações, com a adoção de apelidos e slogans que ultrapassam o simples exotismo, amplia-se especialmente nas eleições proporcionais para casas legislativas. Uma observação complacente e distanciada pode atribuir tal fenômeno ao aprendizado estimulado pela liberdade de expressão num meio que conviveu por tanto tempo com as mordaças da censura e da repressão. Não é bem assim. A política brasileira já deveria ter superado essa prática apenas aparentemente ingênua de oferecer a tribuna da propaganda eleitoral a quem se apresenta à população com os discutíveis recursos do escárnio, do deboche e do rebaixamento da própria política. Num momento em que, sob o impacto do julgamento do Mensalão, o país assiste, de alguma forma, a um júri bem mais amplo, que põe em questionamento a face mais sombria dos políticos, as campanhas sustentadas por grosserias são um estorvo e um péssimo exemplo para os mais jovens. Recorrem a um humor questionável, aborrecem, massacram o português, atrapalham e ocupam um espaço nobre, no rádio e na TV, pago por todos. Que contribuição têm a dar os candidatos que se exibem publicamente com zombarias e muitas vezes com a depreciação explícita do próprio pretendente a um cargo? Com que objetivo disseminam-se pelo Brasil as cópias de Tiririca, muitas das quais utilizando as mesmas frases que tornaram famoso e ajudaram a eleger deputado federal um palhaço incapaz, como ele mesmo confessou, de entender suas atribuições e o que se passa em Brasília? Por mais tolerância que se tenha, não há como ver serventia em tanta deformidade. Também é duvidosa a tese de que tais candidatos são, para o bem e para o mal, expressões da sociedade. Se de fato o fossem, não fracassariam na empreitada da eleição, da qual raros saem vitoriosos, em alguns casos como representantes de desiludidos com as estruturas formais da política e da democracia. São, contraditoriamente, eleitos pelos que, por convicção ou desinformação, não veem na representação parlamentar um instrumento capaz de acolher, refletir e deliberar sobre as demandas do país, dos Estados e das cidades. A política é aviltada, sob o patrocínio de partidos que deveriam enobrecê-la. Não se trata de sugerir a censura, mas de exigir das agremiações uma postura coerente com seus programas e seus eixos programáticos, quando esses de fato existem. As campanhas têm evoluído no Brasil por conta do aperfeiçoamento do regramento legal, estabelecido pela Justiça Eleitoral e resultante de entendimentos com os partidos. O pretenso humor de certos candidatos é um retrocesso. A política vem requerendo mais seriedade, para que se qualifique e expresse as aspirações de todos, e não só de quem está habilitado a votar. Os imitadores de Tiririca seriam mais adequados em outros palcos e com os custos de suas brincadeiras bancados pelos próprios bolsos, para que a sempre questionada propaganda eleitoral mereça o respeito que reivindica. Que contribuição têm a dar os candidatos que se exibem publicamente com zombarias e muitas vezes com a depreciação explícita do próprio pretendente a um cargo? As campanhas têm evoluído no Brasil por conta do aperfeiçoamento do regramento legal