Editoriais
Quinta-feira, 03 de Abril de 2008, 21h:39
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Manobras de Arcanjo
A cada lance do desenrolar dos processos judiciais que envolvem o mafioso João Arcanjo Ribeiro e seus pistoleiros dos tempos em que ele comandava o crime organizado em Mato Grosso - os ex-policiais militares Célio e Hércules -, os advogados de defesa se esforçam no sentido de buscar uma brecha, por menor que seja, para livrar os bandidos das muitas acusações que pesam sobre eles. Na quarta-feira passada, por exemplo, em mais um dos muitos passeios que Arcanjo & Cia têm feito, ultimamente, no trecho entre Campo Grande (MS) e Cuiabá com os custos das viagens bancados pelo contribuinte, obviamente -, a tática dos advogados foi a de pedir que as investigações sobre um assassinato sejam reiniciadas. O detalhe interessante é que o processo que apura a morte de um empresário, supostamente encomendada por Arcanjo e executada pelos dois ex-PMs, já está próximo das alegações finais. Mauro Manhoso, como amplamente divulgado, foi morto em 2000, supostamente por estar atrapalhando os negócios de jogos de azar de Arcanjo, quando entrou no mercado local um jogo tipo raspadinha. A Polícia Civil encerrou o inquérito desse caso em 2004, embora houvesse várias linhas de investigação. Em depoimento, sustentado depois perante o Ministério Público, Hércules Agostinho confessou ter participado do crime, revelou detalhes da forma de agir e apontou Arcanjo como mandante. O curioso é que, tempos depois, o mesmo Hércules voltou atrás e disse ter confessado porque os representantes do Ministério Público haviam prometido benefícios em troca da delação, ato conhecido por delação premiada. As manobras são um prato cheio para a defesa do ex-bicheiro, de tal forma que ela consegue articular para fazer com que os processos se arrastem e Arcanjo, com seus asseclas, prossiga no mordômico passeio entre Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul. A execução do empresário Manhoso, em verdade, é apenas um dos muitos crimes que são imputados a João Arcanjo Ribeiro, figura que ganhou notoriedade justamente por montar uma espécie de poder paralelo no Estado, na época em que o PSDB comandava o Governo. A sociedade mato-grossense acompanha com redobrado interesse os processos e, naturalmente, espera que a Justiça seja feita e que o ex-comendador (título honorífico, vale lembrar, concedido por bajuladores de plantão na era de ouro do crime organizado) seja encaminhado a júri popular. Já passa da hora de se pôr um fim aos tristes espetáculos patrocinados pela defesa dos bandidos, que, por sinal, é notória por buscar cenários para exibições. Basta recordar que, no fim de 2007, os advogados de Arcanjo ganharam destaque no cenário ao defender, junto ao Judiciário e ao Ministério Público, a idéia de que o ex-chefe do crime organizado não representa mais, por assim dizer, nenhum perigo para a sociedade mato-grossense. O objetivo, em verdade, é trazer o bandido de volta para Cuiabá, onde, conforme a polícia e o MP apuraram, ele usufruía de muitas benesses, embora estivesse preso na condição de um elemento de altíssima periculosidade. Felizmente, têm sido inúteis tais esforços. A Justiça tem estado atenta. De qualquer forma, é preocupante que tais processos se arrastem ao longo do tempo. O temor é de que, logo, logo, o caso caia no esquecimento. Esforços para trazer Arcanjo de volta a Cuiabá até agora têm sido inúteis