Editoriais
Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011, 19h:14
A
A
Mais brutalidade
A morte do estudante guineense Toni Bernardo da Silva, em um restaurante de Cuiabá, é a prova inequívoca da condição de barbárie na qual margeia a sociedade cuiabana. Uma noite tranquila, em um tradicional restaurante de Cuiabá, de repente se transforma no cenário de uma brutalidade, algo que já está se banalizando, infelizmente. Com o agravante de que, desta vez, a violência teve implicações diplomáticas. Segundo as primeiras versões, Silva teria se aproximado de um casal para pedir dinheiro. Não sendo atendido, ainda segundo testemunhas, ele teria passado a incomodar o casal. Em dado momento, Silva passou o braço em volta do pescoço da mulher, o que deu ensejo ao início da briga com o namorado. Dois policiais que ali estavam partiram para cima do estudante. Então, conforme os relatos iniciais, começava ali uma sessão de espancamento que resultou na morte do estudante de Guiné-Bissau. Quem viu, conta que foram diversos socos e pontapés. O laudo preliminar aponta que o guineense morreu por asfixia resultante da fratura na traqueia. Em linguagem simples, um chute forte no pescoço, com o rapaz já caído, provocou a sua morte. A defesa dos policiais alega que eles apenas imobilizaram Silva e que as agressões teriam partido de outros frequentadores do restaurante. Por enquanto, a versão que prevalece é da Polícia Civil, segundo a qual os dois policiais e o empresário foram os responsáveis pela morte. Porém, não custa nada para a polícia investigar a possibilidade de que outras pessoas tenham participado do ato. Mesmo a ser verdadeira a informação de que Silva estava incomodando além da conta o casal, a resposta à sua ação fugiu a todas as regras do comportamento. Os policiais, que deveriam estar ali para manter a ordem, ao que tudo indica, agiram com força demasiada. Não poderiam agredir ou permitir que alguém agredisse uma pessoa que, aparentemente, já estava imobilizada. Além de uma possível falta de preparo dos PMs, o episódio revela o clima de beligerância em que se encontra a sociedade cuiabana. A impressão que se tem é que, com os nervos tão à flor da pele por conta da falta de segurança, tudo vira motivo para desentendimentos, brigas e agressões. Um outro lado que deve ser pensado neste episódio é a situação de Toni da Silva perante às autoridades brasileiras. Ex-estudante da UFMT, de onde foi desligado por causa de seus supostos problemas de comportamento, ele estava desde fevereiro sem estudar e sem uma assistência. Fora da universidade, Toni da Silva deveria ter sido encaminhado às autoridades para que providenciassem seu retorno ao país de origem, algo que não aconteceu. O crime mostra a atual situação de beligerância em que vive a sociedade