Editoriais
Terça-feira, 27 de Maio de 2008, 20h:56
A
A
Lições da inflação
O aumento da inflação acima das estimativas mais pessimistas fez ressurgir uma situação com a qual o país já não convivia há algum tempo e impõe desafios tanto para o governo quanto para o setor privado. Diante desse novo cenário, o poder público precisará demonstrar capacidade de contemplar adequadamente pressões de atividades que se julgam prejudicadas, de preferência sem recorrer a medidas de caráter intervencionista. A iniciativa privada, por sua vez, precisará deixar claro se tem ou não condições de fazer o caminho inverso, remarcando os preços para baixo em conseqüência de medidas como a redução da carga de impostos sobre as importações de trigo. Em ambos os casos, o importante é que as decisões se mantenham fiéis às regras de mercado, com base nas quais o país assegurou a sua mais duradoura estabilidade. A expectativa maior nesse novo cenário econômico é em relação ao que ocorrerá com os preços finais dos derivados do trigo para o consumidor a partir desta semana. Analistas divergem quanto à eficácia da redução da carga de impostos nessa área e o próprio setor privado tem dúvidas sobre o que ocorrerá com os preços finais no varejo, a começar pelo fato de que muitas empresas panificadoras são isentas. Providências semelhantes foram adotadas pelo governo em relação à importação de fertilizantes. A questão é que tanto commodities como o trigo quanto os insumos agrícolas tiveram reajustes expressivos nos últimos meses pelas mesmas razões, que incluem desde uma demanda maior do que a capacidade de produção até elevação dos preços do petróleo. Além disso, o país está precisando recorrer a fornecedores cada vez mais distantes, o que pressiona também o custo do frete e do produto final. Em qualquer economia estável, os preços dos produtos, de maneira geral, tendem a variar para cima e para baixo, antes de se acomodarem em patamares mais aceitáveis. A questão, no momento, é que a explosão dos preços das commodities é um fenômeno internacional que dificilmente será debelado apenas com providências internas. O país, portanto, precisa recorrer tanto a providências emergenciais como de médio e longo prazos para atenuar eventuais impactos futuros nos preços de produtos e insumos básicos. Entre as providências inadiáveis para evitar que a inflação se mantenha em alta ou mesmo que se descontrole, estão as que sempre ajudam a reforçar a confiança no país, como finanças governamentais mais equilibradas. Além de determinar maior rigor nos gastos públicos, o país deve reforçar a produção de alimentos, para produzir internamente o que hoje precisa buscar em grande parte fora, como é o caso de um produto essencial como o trigo. Além de determinar maior rigor nos gastos públicos, o país deve reforçar a produção de alimentos