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Editoriais
Domingo, 13 de Setembro de 2009, 01h:34

Legislativo atrelado

Foram frustrantes as tentativas do reduzido bloco de oposição na Câmara Municipal de Cuiabá de instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as polêmicas obras do Programa Aceleração do Crescimento (PAC), em Cuiabá. Atuando como um rolo compressor – afinal, dos 19, pelo menos 14 vereadores sustentam politicamente o prefeito Wilson Santos (PSDB) -, a bancada governista matou no nascedouro a comissão. Como se recorda, ao propor a CPI do PAC, o vereador Lúdio Cabral argumentou, com razão, que a sociedade cuiabana precisa ser esclarecida sobre o andamento das obras desse programa federal, sobretudo, as de saneamento básico. Afinal, é recente a deflagração da Operação Pacenas, por meio da qual a Polícia Federal e o Ministério Público Federal expuseram, aos olhos da opinião pública, uma triste realidade: a existência de uma verdadeira quadrilha que operava um esquema de fraudes nas licitações de obras do PAC. O envolvimento de servidores da Prefeitura, supostamente macomunados com grandes empreiteiros, obviamente, gerou uma série de suspeitas, sendo a principal delas a de que o Poder Público Municipal, quando nada, poderia ter algum tipo de ligação com o crime. Em que pese o nome do prefeito Wilson Santos não ter sido citado, por exemplo, nas ligações que a PF interceptou com autorização judicial, certamente, não haveria nenhum inconveniente em o Legislativo buscar passar a limpo a complicada (e sempre suspeita) execução dessas obras. Chama a atenção, nesse contexto, reunião levada a efeito na manhã da última sexta-feira (11), entre a presidente da Sanecap, Eliana Rondon, e 10 vereadores. O encontro seria para a servidora pública, na condição de legítima representante do prefeito municipal, explicar aos parlamentares as ações que se desenvolvem, no momento, para explicar (ou tentar) o estranho sumiço de pneus, canos de PVC e até de cloro das dependências da companhia de saneamento. O prejuízo está estimado em R$ 200 mil, que, obviamente, já foi debitado na conta do contribuinte. O que seria uma reunião de esclarecimentos, no entanto, virou uma sessão de convencimento, considerando que, ao final do “debate” e do, por assim dizer, “clima de emoção” (Eliana Rondon teria chorado), os vereadores mudaram completamente o discurso e concluíram, numa unanimidade que até gera suspeitas, que não há motivo (?) para se instalar uma CPI para investigar o PAC, nem a Sanecap. Os interesses políticos e as conveniências pessoais, como se sabe, costumam falar mais alto nessas situações. CPI, na maioria dos casos, passa a ser palavra proibida, ainda mais num Legislativo, que, embora seu presidente, Deucimar Silva (PP), pregue transparência e moralidade como “marcas de gestão”, não tem condições de propagandear independência. A abortagem das duas CPI é uma história muito mal contada. “É estranho que, repentinamente, a Câmara aborte duas comissões Parlamentares de inquérito”

Edição EDIÇÃO 16967




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