Intranquilidade é a situação reinante entre a categoria bancária em Mato Grosso, em razão dos constantes assaltos a agências por quadrilha armada com metralhadoras, fuzis, granadas, escopetas e pistolas. Essas ações sempre terminam com funcionários dos bancos e também clientes e seguranças - feitos reféns para servirem de escudos humanos durante a fuga dos marginais. Além dos bancários, clientes dos bancos também se sentem intranquilos nas agências fora de Cuiabá e Várzea Grande, já que preferencialmente os assaltos são praticados nas médias e pequenas cidades onde o policiamento não tem poder de fogo para enfrentar bandidos fortemente armados e onde o reforço policial da Capital não tem resposta imediata em razão da distância e até mesmo pela morosidade em se fazer o pedido, porque invariavelmente os assaltantes rendem o efetivo local. Ontem, em Cuiabá, essa situação motivou uma prolongada reunião de trabalho do secretário de Segurança Pública, Diógenes Curado, com integrantes do Exército e de polícias estaduais e da esfera federal para discutir medidas a serem adotadas. A Segurança Pública de Mato Grosso sabe que bandido com armas de alto poder de fogo e com escudo humano não pode ser enfrentado, salvo em excepcionais condições, para não colocar em risco a vida do refém e da comunidade presente ao cenário do crime. A Segurança Pública de Mato Grosso sabe que o chamado Novo cangaço que age ostensiva e ofensivamente por todos os cantos do Estado conta com apoio logístico de bandidos dos municípios onde as agências são assaltadas; que essa quadrilha tem suporte de marginais presos no sistema penitenciário estadual e que nessa situação a prisão dos marginais que atuam na ponta somente será possível se os serviços de Inteligência fizeram jus a essa denominação. Enquanto a Inteligência policial não conseguir se antecipar ao ato criminoso do ataque ao banco, a quadrilha será vencedora. Para tanto e sem necessidade de se reinventar a roda, basta que se faça rigoroso monitoramento dos ditos reeducandos com perfil de assaltantes da rede bancária e que vasculhem nos municípios as ramificações desse tipo de atividade criminosa. Mais: embora se trate de assunto extremamente delicado é imprescindível que se consiga na Justiça autorização para escuta telefônica de advogados tradicionalmente ligados por laços profissionais ao submundo do crime. É óbvio que quando se fala em escuta telefônica de advogado a OAB discorda em nome da prerrogativa do exercício profissional. No entanto, enquanto não houver tal ação de Inteligência sem que isso implique no nivelamento da honrada categoria dos advogados com alguns de seus pares nenhuma linha de investigação será completa. Reunião da cúpula da Segurança Pública não resolve os alarmantes índices de assaltos a bancos. O que Mato Grosso precisa e exige é uma abrangente linha de investigação, ainda que a mesma sofra questionamentos, mas que resulte na vitória do Estado sobre o crime. Bandido com armas de alto poder de fogo e com escudo humano não pode ser enfrentado