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Editoriais
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011, 09h:21

Inteligência policial

Intranquilidade é a situação reinante entre a categoria bancária em Mato Grosso, em razão dos constantes assaltos a agências por quadrilha armada com metralhadoras, fuzis, granadas, escopetas e pistolas. Essas ações sempre terminam com funcionários dos bancos – e também clientes e seguranças - feitos reféns para servirem de escudos humanos durante a fuga dos marginais. Além dos bancários, clientes dos bancos também se sentem intranquilos nas agências fora de Cuiabá e Várzea Grande, já que preferencialmente os assaltos são praticados nas médias e pequenas cidades onde o policiamento não tem poder de fogo para enfrentar bandidos fortemente armados e onde o reforço policial da Capital não tem resposta imediata em razão da distância e até mesmo pela morosidade em se fazer o pedido, porque invariavelmente os assaltantes rendem o efetivo local. Ontem, em Cuiabá, essa situação motivou uma prolongada reunião de trabalho do secretário de Segurança Pública, Diógenes Curado, com integrantes do Exército e de polícias estaduais e da esfera federal para discutir medidas a serem adotadas. A Segurança Pública de Mato Grosso sabe que bandido com armas de alto poder de fogo e com escudo humano não pode ser enfrentado, salvo em excepcionais condições, para não colocar em risco a vida do refém e da comunidade presente ao cenário do crime. A Segurança Pública de Mato Grosso sabe que o chamado “Novo cangaço” que age ostensiva e ofensivamente por todos os cantos do Estado conta com apoio logístico de bandidos dos municípios onde as agências são assaltadas; que essa quadrilha tem suporte de marginais presos no sistema penitenciário estadual e que nessa situação a prisão dos marginais que atuam na ponta somente será possível se os serviços de Inteligência fizeram jus a essa denominação. Enquanto a Inteligência policial não conseguir se antecipar ao ato criminoso do ataque ao banco, a quadrilha será vencedora. Para tanto e sem necessidade de se reinventar a roda, basta que se faça rigoroso monitoramento dos ditos reeducandos com perfil de assaltantes da rede bancária e que vasculhem nos municípios as ramificações desse tipo de atividade criminosa. Mais: embora se trate de assunto extremamente delicado é imprescindível que se consiga na Justiça autorização para escuta telefônica de advogados tradicionalmente ligados por laços profissionais ao submundo do crime. É óbvio que quando se fala em escuta telefônica de advogado a OAB discorda em nome da prerrogativa do exercício profissional. No entanto, enquanto não houver tal ação de Inteligência – sem que isso implique no nivelamento da honrada categoria dos advogados com alguns de seus pares – nenhuma linha de investigação será completa. Reunião da cúpula da Segurança Pública não resolve os alarmantes índices de assaltos a bancos. O que Mato Grosso precisa e exige é uma abrangente linha de investigação, ainda que a mesma sofra questionamentos, mas que resulte na vitória do Estado sobre o crime. Bandido com armas de alto poder de fogo e com escudo humano não pode ser enfrentado

Edição EDIÇÃO 16960




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