A substituição da ministra Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente, que deverá ser efetivada definitivamente hoje com a posse do ecologista Carlos Minc, escolhido para o cargo pelo presidente Lula, ganhou uma repercussão extraordinária não apenas porque se trata da alteração numa área sensível da administração, mas também porque o futuro titular produziu algumas declarações consideradas intempestivas e polêmicas. O temor dos ecologistas é de que, como substituição a uma política de austeridade e intransigência na liberação de licenciamentos ambientais, como a praticada pela ex-ministra, a nova orientação seja marcada pela permissividade e pela preocupação midiática. Nem intransigência nem permissividade. O país precisa de um funcionamento administrativo e fiscalizador que atenda aos seus interesses. Se estes apontarem para a necessidade de maior eficiência das autoridades federais, é essa a orientação que precisa ser buscada pelo novo ministro. Há projetos que demandam atenção prioritária dos órgãos ambientais e como tais devem ser tratados. O futuro ministro advoga, inclusive, maior presença das Forças Armadas na Amazônia. A responsabilidade deve ser uma das marcas da atuação das autoridades encarregadas da proteção do ambiente. Qualquer que seja a resposta, não deve ser retardada. Com o olhar do país e do mundo voltado para temas ligados à preservação do ambiente e ao desenvolvimento, nada mais oportuno do que uma ação ministerial eficiente e desburocratizada, cumprindo a lei com a celeridade possível. Para nós, mato-grossenses, apesar da ironia em que o novo ministro tratou o estado e do tratamento nada cortês dado ao governador Blairo Maggi, fica a expectativa de que Carlos Minc venha realmente a conhecer Mato Grosso e nossa realidade na área ambiental, que é bem diferente das demais regiões do país, em especial ao Rio de Janeiro, único estado em que o novo ministro diz conhecer. De resto, numa área que guarda permanentes divergências em razão dos interesses em jogo, o conveniente é que as autoridades mantenham-se distantes das polêmicas, agindo com isenção e sem passionalismo. Provavelmente será essa a orientação que o presidente Luis Inácio Lula da Silva dará ao mais novo e inquieto de seus ministros. O conveniente é que as autoridades mantenham-se distantes das polêmicas, agindo com isenção e sem passionalismo