Editoriais
Terça-feira, 24 de Julho de 2012, 21h:21
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Índice e realidade
Nos meios políticos e empresariais se costuma dizer que Mato Grosso cresce em ritmo mandarim ao passo que o Brasil patina acumulando índices haitianos. Esse comparativo acaba de ganhar, mais uma vez, ratificação oficial conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) relativos ao primeiro semestre deste ano. O Brasil registrou queda percentual de 26 na geração de emprego com carteira assinada no primeiro semestre deste ano. No mesmo período, Mato Grosso alcançou resultado positivo de 17,96% com a conquista de 36.851 postos de trabalho formais. Esse bom desempenho é representado por 242.002 contratações de operários, técnicos e outros profissionais contra 205.151 demissões. O desempenho mato-grossense na relação entre empregadores e empregados é alicerçado pelo conjunto de sua economia, com destaque para a cadeia do agronegócio, construção civil e a indústria de transformação. Os números alcançados por Mato Grosso são tranquilizadores e devem ser mantido ainda por bom tempo. Isso, porque o agronegócio se fortalece a cada dia para atender à demanda mundial por alimentos, a construção civil está em alta com o boom da Copa do Pantanal de 2014 em Cuiabá e a tendência é a expansão do setor industrial de transformação. Numa visão macro a economia de Mato Grosso é exemplo de vitalidade. Porém, se diluída nos 141 municípios, ela apresenta gritantes desníveis que não podem continuar, em nome da dignidade humana; essa situação precisa ser enfrentada sem rodeios pelo governo em todos os seus níveis e pela iniciativa privada. Enquanto os grandes polos da produção agrícola e da indústria de transformação ganham contornos de municípios de primeiro mundo, nas cidades órfãs do garimpo a população não vê perspectiva de futuro, por falta de emprego e de oportunidade no empreendedorismo, uma vez que não há demanda que motive a abertura de algum tipo de estabelecimento. Mato Grosso precisa manter o índice de geração de emprego, mas de modo que o desnível entre os maiores e os menores municípios não seja tão acintoso, o que transforma o Estado num mar de riqueza com bolsões de miséria formados por cidadãos que vivem abaixo da linha da pobreza. A correção dos desníveis sociais em Mato Grosso exige a criação de política específica para fomentar a retomada do crescimento das cidades órfãs do garimpo. Se não houver amparo oficial os municípios pobres continuarão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, pois não há, por exemplo, condições de competitividade entre Alto Paraguai e Sorriso, ou entre Poxoréu e Rondonópolis. Que o resultado apresentado pelo Caged desperte o governo, a bancada federal, a Assembleia Legislativa e a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) juntamente com as federações que representam os principais segmentos econômicos, para a pulverização da riqueza, de modo a permitir que ela não se concentre nos grandes polos, mas que se torne capilarizada. Os municípios pobres continuarão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos