Tudo indica que a queda-de-braço entre o governo federal e as entidades representativas dos professores das universidades em greve se prolongará até as vésperas do envio, pelo Executivo, do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ao Congresso. Como o prazo para entrada do texto no protocolo do Legislativo se encerra em 30 de agosto, são grandes as chances de que o início do segundo semestre letivo sofra atraso. Se essa hipótese pessimista se confirmar, não será o único prejuízo imposto pelo movimento aos estudantes, uma vez que a greve docente já atingia 57 das 59 universidades federais e 34 dos 38 institutos federais de educação tecnológica ao término do primeiro semestre, aí incluído a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Num cenário mundial em que o ensino superior é um dos terrenos decisivos da disputa entre os países que buscam um lugar ao sol no novo mundo globalizado, não se pode ignorar o impacto nefasto que a suspensão das atividades nas universidades por tanto tempo representará para as aspirações brasileiras. Entre as exigências dos grevistas estão reajustes salariais e mudanças no plano de carreira. O Ministério da Educação sustenta, por sua vez, que não é possível conceder reajustes sem comprometer o equilíbrio da gangorra orçamentária, aumentando ainda mais o abismo entre os gastos com o ensino superior, de um lado, e com os ensinos fundamental e médio, de outro. Esse raciocínio encontra apoio em pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), segundo a qual o custo por aluno nas universidades públicas é quase seis vezes maior do que o governo gasta na educação básica. Independentemente das razões esgrimidas pelos dois lados no atual impasse, é preciso que seja encontrada uma solução de emergência que evite mais danos à vida acadêmica, especialmente a seu polo mais fraco, o dos alunos. É também chegada a hora de o Brasil corrigir o equívoco histórico de, em meio à escassez orçamentária, carrear o grosso dos recursos alocados na educação para o ensino superior em detrimento da educação básica. Em nações mais desenvolvidas, como os Estados Unidos, acontece exatamente o contrário: o ensino básico é público e universal, já o superior principalmente o de melhor qualidade é predominantemente privado. O custo por aluno nas universidades públicas é quase seis vezes maior do que o governo gasta na educação básica