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Editoriais
Quarta-feira, 25 de Março de 2009, 21h:49

Hora de trabalhar

Há menos de 15 dias, neste mesmo espaço, o Diário alertou para o risco de a Câmara Municipal de Cuiabá perder, definitivamente, o rumo, a direção, e se desvirtuar de suas responsabilidades institucionais. Por conseqüência, aumentaria ainda mais o fosso que, nos últimos dias, passou a separar os senhores vereadores da população que os elegeu. O jornal chamou a atenção para o fato de que a sociedade já não esconde mais a sua revolta – um sentimento que também equivale a profundo desalento – com a incúria parlamentar, dada a omissão deliberada da maioria dos parlamentares, que priorizam os seus próprios interesses ou dos grupos políticos que representam. Perde a cidade, no seu conjunto, que também se ressente de ações administrativas, até porque o prefeito Wilson Santos (PSDB) também está a dever explicações para o fato de ainda não ter assumido de fato o comando da maquina pública municipal. Nesse período em que o jornal alertou para o descaso dos vereadores, vale registrar, pouco ou nada se alterou no comportamento do Legislativo: a Casa continua sem comando, os interesses paroquiais se sobrepõem ao interesse coletivo e, o que é pior, o Poder passou a ser visto como sinônimo, isto sim, de escândalo. Eis que, agora, a gloriosa Câmara Municipal praticamente tachou de “prioridade zero” o caso que envolve o vereador Ralf Leite (PRTB) e que o coloca no centro de um escândalo que, pela sua natureza e gravidade, já deveria ter sido mais do que suficiente para cassar o mandato do citado parlamentar. De fato, não passa uma sessão sem que o já denominado “Caso Ralf” não conste da Ordem do Dia e do noticiário acerca do Legislativo cuiabano. Presidida pelo inexperiente vereador de primeiro mandato, Everton Pop (PP), a Comissão de Ética da Câmara, até o presente momento – e isso já se arrasta por quase dois meses -, não disse a que veio. Na verdade, tem-se revelado extremamente incapaz de elaborar um relatório que sirva de subsídio para que o Plenário, no prazo definido, julgue se Ralf Leite tem condições morais (e isso, ao que parece, ele demonstrou que não possui) e psicológicas para atuar como legítimo representante do povo no Parlamento Municipal. Em realidade, ao longo dos últimos dias, o vereador do PRTB tem, sim, levado a tal comissão de vencida, usando as brechas que a Lei oferece e que seus advogados de defesa aproveitam para não obter decisões favoráveis da Justiça. Decisões que, na prática, prejudicam investigações e protelam decisões sobre o rumoroso caso que envolve o vereador e um homossexual adolescente, na prática de ato sexual flagrado em via pública pela Polícia Militar. O Caso Ralf Leite virou o assunto do momento, inclusive, em Plenário da Câmara. O próprio vereador tem sido foco do noticiário político, não por algum mérito, mas pelo simples fato de que o Legislativo cuiabano perdeu seu rumo e caminha célere para perder, definitivamente, sua identidade. O escândalo sexual envolvendo o vereador deveria ser um caso de Polícia. Como, aliás, foi tratado pela PM, que, como a seriedade que a caracteriza, realizou sindicâncias e, de sua parte, encerrou o caso, não sem antes anunciar um amplo processo contra Ralf Leite por danos morais à corporação. É por essas e outras que a denominada Casa de Leis vive um eterno desgaste em sua imagem. Esse poder, infelizmente, ainda não se deu ao respeito. Por conta disso, o contribuinte continua alimentando a sinecura de 19 cidadãos, que, até prova em contrário, não é são chegados ao trabalho. Até quando isso? “A Casa de Leis dos cuiabanos vive um eterno desgaste em sua imagem”

Edição EDIÇÃO 16964




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