Editoriais
Sexta-feira, 06 de Novembro de 2009, 00h:11
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Hidrovias
Mato Grosso precisa aprofundar e democratizar o debate sobre um tema que ao mesmo tempo em que divide opiniões é mantido fora do domínio público recebendo tratamento reservado: a utilização das suas hidrovias como matriz de transporte. O tema hidrovia tem pouco espaço no noticiário. Quando citado pela imprensa fica restrito a questionamentos por parte do Ministério Público Federal e a decisões da Justiça Federal em instância inferior, mas nunca com sentença com trânsito em julgado. Alguns bolsões ambientalistas também o abordam, mas com a cautela para que não ganhe contornos de massificação. Já o empresariado interessado tanto em empresas de navegação como no fretamento de balsas para o transporte de commodities agrícolas, sempre opta pelo silêncio. Pela primeira vez o tema transporte hidroviário ganha destaque. Na terça-feira (03), a Frente Parlamentar de Logística de Transporte e Armazenagem (Frenag) da Câmara dos Deputados promoveu em Brasília o 1º Fórum sobre Hidrovia, que abordou todos os aspectos da utilização dos rios para irrigação, geração de energia, transporte e integração. O presidente da Frenag, deputado federal Homero Pereira (PR) insistiu junto aos congressistas para que destinem recursos de emendas parlamentares ao setor hidroviário e aos modais de transporte que incluem a matriz aquaviária. A fala de Homero foi reforçada pelo presidente do DNIT, Luiz Antônio Pagot, que fez importante revelação: disse que o Brasil tem 100 mil km de hidrovias, mas que somente utiliza 13 mil km das mesmas. Na Amazônia Legal a hidrovia é o principal meio de transporte humano e de cargas no Amazonas, Roraima, Amapá e Acre; é o segundo no Pará e em Rondônia. Já Mato Grosso não pode se incluir a esse modal, que também é largamente utilizado nos Estados Unidos, Europa, África e Ásia. Encravado no centro do continente, Mato Grosso tem rios que se utilizados pela navegação comercial atenderiam sua demanda regionalizada de transporte. Rumo norte a Hidrovia Teles Pires/Tapajós assegura acesso aos portos de Itaituba e Santarém, no Pará; na mesma direção, a Hidrovia Mortes-Araguaia garante a interligação com Xambioá (TO) e o porto de Itaqui, em São Luís, Maranhão. Rumo sul a secular Hidrovia Paraná-Paraguai é o caminho da integração do Mercosul e por mais de 200 anos, até as primeiras décadas deste século, quebrava o isolamento de Cáceres. No entanto, essa malha fluvial sofre óbices ambientais, que a engessam. A relação harmoniosa que deve nortear desenvolvimento e meio ambiente não pode ser calcada no radicalismo, no passionalismo nem no achismo. É preciso que Mato Grosso busque a luz da ciência a verdade sobre transporte hidroviário. O melhor caminho é o da razão, que não se prende a interesses grupais nem se curva a conceitos superficiais. É hora do debate. Melhor, da continuidade do debate aberto em Brasília por Homero Pereira e Luiz Antônio Pagot. Na Amazônia Legal a hidrovia é o principal meio de transporte humano e de cargas