Editoriais
Sábado, 04 de Abril de 2009, 13h:46
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Guerra urbana
Dados da Secretaria de Segurança Pública, divulgados na semana passada, revelam que o balanço da violência no mês de março fechou com 21 assassinatos na Grande Cuiabá, dos quais 14 foram na Capital e seis em Várzea Grande. Embora seja um número alto, ainda é inferior aos dois primeiros meses do ano. Em janeiro, ocorreram 30 execuções; em fevereiro, foram 22. Neste ano, já são 73 execuções, número exatamente igual ao do primeiro trimestre do ano passado. A maior parte das execuções tem relação com o tráfico de drogas viciados que deram banho em traficantes (compraram e não pagaram) e que acabaram pagando com a própria vida. Ou, ainda, quanto às disputas pelo controle do tráfico, principalmente na periferia. Se a onda de violência arrefeceu, no que se refere à presumível redução da taxa de homicídio, quase ao mesmo tempo, ela se revela assustadora quanto aos assaltos, roubos e até numa modalidade de crime da qual, aparentemente, parecia distante o seqüestro. Na semana passada, com efeito, a cidade foi tomada por uma série de notícias que espelham a realidade de extrema insegurança em que vivem seus habitantes. A começar pelo seqüestro de um empresário do ramo de material de construção e cujo desaparecimento, no último dia 1º, intriga as autoridades policiais. O caso era mantido sem segredo, a família nega, mas a Polícia confirma o seqüestro. Na madrugada de quinta-feira (2), uma das grandes empresas do setor atacadista de Cuiabá foi invadida por uma quadrilha, cuja logística incluía até um caminhão para levar a mercadoria roubada. O prejuízo monta a milhões de reais. Uma empreiteira com sede na Capital também foi vítima dos ladrões; as saidinhas de banco já viraram uma triste rotina; os assaltos a mão armada fazem parte do cotidiano. Sem se contarem os arrombamentos de residências e lojas, que viraram uma constante na vida dos cidadãos. Até então, a escalada da violência na capital era discutida com base em números de ocorrências, como homicídios e furtos. Desde a última semana, a discussão em torno desse grave problema social também passou a incluir os limites - se é que há - da ação dos criminosos. Na contramão dessa triste realidade, não se tem notícia de que as instituições estão repensando suas ações no combate à violência. Ao contrário. Afinal, como se não bastasse esse quadro de guerra urbana, o Governo Federal alega os reflexos da crise global para promover um corte significativo nos recursos da Segurança: R$ 1,2 bilhão do orçamento do Ministério da Justiça (40% do original). Nesse contexto, a pergunta que não cala é: o que é prioridade para o Poder Público, quando se trata da Segurança Pública? Não se trata somente de aumentar o policiamento ou as vagas nos presídios. Conspira a favor da criminalidade não só a ineficiência da polícia, mas a incompetência do Estado em todas as áreas. A dignidade das pessoas é desrespeitada por inteiro. No momento em que o cidadão mais precisa da assistência do Estado, este se omite. A sensação é de que a cidade de Cuiabá torna-se, a cada dia, menos e menos habitável. Resta saber a quem os cidadãos devem pedir socorro. A sensação é de que Cuiabá torna-se, a cada dia, menos e menos habitável